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25 de agosto de 2013

O que pode um abraço?

Abraço apertado
Abraço amigo
Abraço de mãe
Abraço de vó
Um simples abraço
Um simples gesto: acolher...

22 de julho de 2013

Bom dia :)


Uma Pausa













Já fiquei emudecido diante de alguns desafios
Emudecido por precisar trilhar caminhos desconhecidos 
Normalmente diante de mudanças e transformações
Estas quase sempre repentinas, algumas pareciam intrusas 
Eis aí parte de nosso medo e insegurança
É o peculiar frio na barriga
Mãos gélidas
Olhos sonolentos
Pés cansados

No entanto o tempo segue sem intervalos
Não há pausas para reparos
Tudo acontece ao vivo
Alguns papéis são invertidos
Nossos pais chamam por nosso nome
Precisam do nosso braço para se apoiar
Já não possuem aquela tão boa visão
Agora andam lentamente, tateiam, teimam...

Enquanto isso o tempo não é mais o mesmo
E o mesmo tempo continua seguindo sem intervalos
A vida profissional se faz urgente
As responsabilidades cotidianas se avolumam
E no meio da caminhada um acidente, uma pausa
Uma pausa nossa no tempo que segue....

Nossa fragilidade humana vem à tona, revelada em lágrimas e sensações
Um olhar, um gesto amigo é providencial
O calor da matilha preserva muitas vidas
E outra vez somos fortalecidos
Ainda que incertezas nos olhem nos olhos
O amor aos nossos próximos nos guiará na noite fria, nos consolará na angustia, nos fortalecerá na fraqueza e nos renovará como a luz do sol de um novo dia.

21 de julho de 2013

Pensamentos de chuva

Não fecho as janelas
Só para ver a chuva cair

Não fecho as janelas
Só para sentir a brisa do sul me abraçar

Águas do céu tocando o chão...

Quando menino imaginava nos canteiros das ruas, verdadeiros rios
Em minhas mãos um barquinho de papel
Com os pés descalços caminhava pela calçada
Agachado repousava o barquinho nas águas que escorriam pelas ruas
Lá ia o barquinho de papel em dia de chuva
Lá ia o menino pela calçada acompanhando o barquinho sobre as águas

Do nada minha mãe gritava de dentro de casa: "Vem menino! Saia dessa chuva!"
Ao som da voz da minha mãe, me despedia do barquinho
Mas ali me dava por satisfeito em ter visto meu barquinho flutuando sobre as águas

Voltava para casa correndo entre os pingos da chuva
Voltava correndo, pulando, sorrindo e cantando
Voltava o menino deixando o barco
Voltava o menino todo molhado
Mesmo molhado a mãe abraçava o menino sorrindo

21 de maio de 2013

Amanhecer :)

O dia amanhece
Sobre o silêncio da madrugada

O dia amanhece
E o trabalhador já está de pé

O dia amanhece
E o sol revela o céu azul, com nuvens brancas

Serenidade no tempo, na brisa suave
Entre compromissos, desafios e responsabilidades
O relógio marca a hora, acelera nosso passo, nosso corpo...
Tudo cronometrado

Há tempo para um café sobre a mesa?
Há tempo para um café?
Corre e dá um abraço
Rápido!

Flores no jardim
Flores nas calçadas
Flores nos muros... no caminho há flores

"Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara..."

7 de março de 2013

Senhora com os pés descalços...

Já dizia minha mãe: "Costume de casa, se leva à praça!" Ela sempre "saia com essa ideia" para pontuar um costume ou comportamento negativo dos filhos. Neste caso aqui, farei um relato de algo positivo.

Hoje pela manhã em Alagoa Grande, ao entrar numa farmácia acabei tropeçando numa sandália feminina, meiga e bem cuidada. Em seguida me deparei com uma senhora debruçada no balcão da farmácia onde era atendida. O chão da farmácia estava plenamente limpo, o ambiente também reforçava e  confirmava essa sensação de higiene.

Pois bem, tenho um costume de normalmente retirar as sandálias para entrar na casa de um amigo - pra mim soa como um gesto de respeito pela casa, pela pessoa, ou uma tentativa de não deixar ali na casa a sujeira de toda rua por onde que estaria na sola de minha sandália.

Mas aquela senhora, ela estava numa farmácia, descalça... Possivelmente pelos mesmos motivos que eu, respeito. No entanto ela transmitia uma candura e seu gesto tornava-se muito mais significativo para mim, um gesto tão lindo, tão simples. 


Ninguém havia percebido que eu havia "tropeçado" na sandália. O pior... quando dei por mim a sandália estava fora do tapete, onde a senhora havia deixado. Delicadamente disse pra elas que havia tropeçado na sandália, simultaneamente me desculpei e coloquei a sandália de volta.

A senhora descalça, tirou os braços do balcão da farmácia e atentamente me olhou nos olhos e com voz serena me pedira desculpas pelas sandálias deixadas ali, á porta da farmácia, num gesto de respeito para com a "dona da casa"... não permiti que ela terminasse seu pedido de desculpas, na verdade o intruso era eu.


Pisar diretamente no chão tem em si tantos significados. O gesto delicado e o comportamento simples daquela mulher, sua luz, sua serenidade e paz me tocava.


Na verdade, recebi um afago naquele momento, uma recarga de leveza e de luz. Esse é o meu Nordeste, este é o meu povo.

Simplicidade que amo...




25 de fevereiro de 2013

Abrindo a janela.


O dia amanhecia.
E ela continuava acordada.
Tinha sido mais uma noite difícil, uma noite inteira sem dormir.
Com seus pensamentos, seus medos, dores, lágrimas e arrependimentos.
As persianas da janela do seu quarto a impediam de ver a luz do dia que chegava devagar.
O som da sua dor interior, transformada em pranto, a impedia de ouvir o som do mar.
Mas o amanhecer estava bem ali, anunciando um novo dia.
A noite de angustia era também iluminada por uma intensa lua cheia, brilhando sobre o rio e o mar.
O céu não estava escuro absoluto, ainda com estrelas brilhantes, surgia um novo cenário de cores e transformação, era o nascer do sol.
Onde está a tua angustia, onde se esconde essa tua dor?
No meio da madruga o sol brilhou...
 Ela não excitou, saindo da cama, colocou-se de pé e mesmo quase sem querer. Nem conseguia acreditar naquilo que estava fazendo. Afinal sua dor a impedia de pensar e agir.
Em meio ao seu caos e fracassos, ela se pôs a caminhar.
Lentamente, entre um passo e outro, uma lágrima...
Respirava ofegante. Ninguém estava ali. Era apenas ela. Ela e suas dores. Mas algo acontecia em seu interior...
Ainda de maneira lenta, as persianas foram se abrindo, revelando um novo cenário, ainda que pelos vidros da janela fechada... O amanhecer lhe trazia um novo fôlego, um milagre estava acontecendo dentro do seu interior.
Afinal, há tempos ela não sabia o que era dia, há tempos no seu interior tudo era noite sem estrelas e sem luar.
Ao abrir os vidros da janela, um vento sul intenso e simultaneamente suave parecia lhe abraçar, envolvendo, tomando conta de cada espaço daquele quarto. O vento ao entrar pela janela aberta parecia trazer consigo luz, levando toda dor que havia ali.
Enquanto isso, com os olhos fechados ela respirava fundo e lentamente sua coluna, seu corpo antes envergado colocava-se de pé...
Ainda em lágrimas, apoiou-se sobre a varanda, abriu os olhos e em sua alma um sopro, um novo fôlego... Esperança.
Dali ela avistava o mar. E sua dor estava sendo depositada na areia da praia. Entre uma onda e outra, num piscar e abrir de olhos, tudo era areia e as águas do mar banhavam seus pés...
Num giro de 360°, ela via todo o cenário da sua vida. Ao seu redor a brisa do mar, as palhas dos coqueiros balançavam ao soprar e dançar dos ventos.
Um bem-te-vi lhe dava bom dia. E ela respondia: “Bom dia vida”.
Para alguns, era apenas mais um amanhecer, mais um dia.
Mas para ela hoje era diferente.
Ao abrir os olhos, nem podia acreditar que sempre tudo aquilo esteve ali...
Era dia, era seu dia... Amanhecia ali, pela primeira vez depois de um longo tempo.
Amanhecia ali, era dia na sua alma.


23 de fevereiro de 2013

Flor de alecrim.


Entre uma xícara de chá e outra, silêncio.














Ouço o tintilar da xícara sobre o pires.
Outros movimentos sobressaem à voz do meu pensamento.
Com uma colher a girar, mexo o chá.
O cheiro da camomila, da cidreira e da hortelã, aquece meu interior, perfumando meus pulmões.











A xícara de volta para minhas mãos.
Um soprar da boca para refrescar a superfície do chá quente.
Um gole degustado e sonoro sobressai à voz do meu pensamento.













Garganta e entranhas aquecidas.
Numa tarde de sábado minha alma é afagada, por uma xícara de chá quente, na companhia de um livro e pelo silêncio do meu pensamento.

Nunca vi uma flor de alecrim.





Entre folhas, flores e sombras, o tempo.

Entre a sombra da luz de um poste e outro
O tempo ganha espaço
Pedregulhos revestem o asfalto com piche










Sobre os muros das casas, flores
Sobre as calçadas, pétalas de flores secas

Folhas, flores, sombras, pedregulhos...
E o tempo que não determina o que deve ser lembrado ou esquecido
Tudo é fragmento, elementos por vezes entregues ao acaso
Por acaso observamos

Folhas, flores, sombras, pedregulhos, sentimentos...













Tudo toca o asfalto
A luz do sol do meio dia
Os raios da lua cheia da meia noite
O vento que leva é o mesmo vento que trás... O perfume, a poeira, a água da chuva que cai do céu

Chuva lavando o asfalto feito de pedregulhos unidos pelo piche
Com a água da chuva, vai à poeira, vão às folhas, as flores, a luz do sol, alguns pedregulhos, mas não o sentimento














Tempo, és o senhor absoluto de nossa existência
A ti sábio tempo, minha oração
Escolhestes a mim para observar o teu passar
Eis o meu oficio...

2 de janeiro de 2013

Um pingo de chuva


Chuva sobre o telhado
Ouço o som multiplicado dos muitos pingos
Entre um pingo e outro sopra o vento
E o vento toca os pingos dos pingos
Resulta na brisa que vem pela janela
A brisa da chuva me abraça e deita comigo

Melodia na alma
Serenidade no espírito
Em silêncio medito
Meu pensamento pausado
Viajo em mim, em minhas lembranças
Como alguém que escala a mais alta montanha 

Flor branca
Flores brancas
Flor amarela
Uma flor de ipê amarela
Cai do mais alto galho da árvore
Bailando dos céus até tocar o chão
Leve vem a flor amarela de ipê


 
Lembranças nos galhos secos
Imagens, cenários, semáforos me fazem recordar
Melodia em piano
Som das águas
Águas de rio
Águas de mar



Ainda não senti a sensação da neve tocando minha pele
Mas vejo com admiração o pôr do sol sobre minha cidade
O brilho do astro pelo fim da tarde
Deixa tudo dourado
Asfalto, janelas, desejos, encontros, olhares, sorrisos, sonhos dourados
Sonho dourado

Sentimento, emoções
Sou sensibilidade
Movido pela gratidão
Gratidão em ser
Em poder encontrar
Gratidão em rever
Em poder sonhar
Gratidão em lutar
Em poder alcançar


Um pingo de chuva
A brisa do vento
O dourado do pôr do sol
A esperança do sentimento

Um pingo de chuva dourado
Horizonte aberto, livre
Entrega... Silêncio... Esperança...

Histórias e Reflexões no face.

Olá amigos é com muito carinho que venho compartilhar com vocês nossa página no face. Podem ficar a vontade pra curtir, compartilhar e indicar para seus e suas queridas. No entanto apenas a leitura e companhia de vocês já nos ilumina aqui. Abraço generoso :)



http://www.facebook.com/historiaereflexoes

1 de janeiro de 2013

Um ano de luz













01 de janeiro de 2013
João Pessoa, Praia do Cabo Branco
São pouco mais de 05 horas da manhã
A noite escura iluminada pelos fogos de artifícios, refletidos nas roupas brancas de toda multidão, aos poucos vai recebendo o brilho de uma outra luz
Na extensão de toda orlas, famílias inteiras aguardam o primeiro raio de sol tocar o mar, surgir no horizonte...

A luz e sua claridade
A certeza de um novo dia que amanhece
E o sonho de um novo tempo iluminado
Sem dúvidas e com absoluta segurança (?)
O dia já vem raiando meu bem...

Pois bem, o sol não surgiu como deveria
Como deveria?
Isso mesmo.
O céu estava nublado na orla do Cabo Branco
Um paredão, uma verdadeira muralha de nuvens, aparentemente pesadas, algumas toneladas de nuvens (?!)













O sol nasceu, a sua hora já indicava isso
Uma certa claridade ofuscada anunciava tamanho evento
Mas onde está o sol minha gente?
"Por detrás das nuvens mãe!"
Disse um pequeno e agitado menino
Mas e o dia? Amanheceu? Já é dia? Onde está a luz?

O benefício da dúvida se apresentava
Paralelamente a reflexão pairava sobre as pessoas
A dúvida os movia
Alguns erguendo as mãos aos céus, pareciam entregar-se agradecendo, confiando...

Outros caminhavam serenamente até as águas da praia
No mesmo instante abraços, danças, uma criança rolava na areia
A celebração de um tempo que se chama novo
A saudação a um dia que vagarosamente raiava

A montanha pesada de nuvens suspensas fora transpassada, pelo mais insistente brilhar
Brilhou dourado, serenamente; primeiro tocou o mar
E sobre o mar, um ínfimo raio de sol ficou, tocou, brilhou...
E todos, atentamente observavam o sol por trás das montanhas e apenas um fecho de luz que surgia
Mas o sol brilhava lá, lá na altura do mar
Tímido, pacato, sereno
Brilhava o sol, distante da areia da praia, distante das pessoas vestidas de branco

E sobre o mar, do sul para o norte, o raio de sol se pôs a caminhar
Vagarosamente, delicadamente... Vinha o sol sobre o mar que também estava sereno
Um caminho de luz, sobre águas ainda sem cor
O sol brilhou em meio às dúvidas
Como que descendo degraus tocou nosso chão
Brilhou em nossos pés
Posou sobre nossa pele, nosso corpo
Olhou a luz em nossos olhos
Revigorou nossa alma
Aqueceu meu coração


Um caminho de luz estava apresentado
Mas entre a luz, dois lados ainda não iluminados
A parte do mar iluminado ficara azul
E o vento que soprava do sul, parecia vir sobre o mar, trilhando o caminho da luz, abraçando-me na praia e assanhando as palhas do coqueiro

Tenho um desejo
Que a aparente força da falta de respeito e da intolerância para com o diferente, receba a luz do sol e que estes percebam que as diferenças nos tornam únicos e semelhantes, as diferenças nos conectam, assim como tudo na natureza não igual, mas juntos, simplesmente são.

Tenho comigo uma certeza, a dúvida sempre estará presente e quando ela se fizer ausente, nós haveremos de chamá-la... Chamá-la pelo nome e quando ela chegar trará consigo a certeza de que estamos vivos.

Um ano de luz
Um ano de riso
Sem choro contido
Sem temer os riscos
Pegadas na areia
Caminhada continuada
Ainda que lenta... Caminhada
Um tempo de preservação
Fortalecimento dos laços
E que a única certeza seja a de quem somos... Dos sonhos que sonhamos













Um ano de luz sobre a dúvida
Feliz 2013

Sereno


16 de dezembro de 2012

Varre o tempo

Na sombra do som
Que sopra suave
Feito vento preguiçoso
Que sem querer
Balança a rede 
Presa entre dois coqueiros 












Sopra o vento
Varrendo a praia 
Bailando sobre as águas
Bailando sobre as areias

De grão em grão
Passo por passo
De tempo em tempo

Na sombra do som
No soprar do vento
Ouço a melodia
E me deixo levar

De braços abertos
Flutuando sobre o mar
Me encontro na liberdade

No voo da gaivota 
No voo da borboleta
Que plana sobre as flores
Bem-te-vi

Sopra o vento
Passa o tempo
Baila a liberdade
Dança a felicidade

Olhares
Liberdade
Afeto
Silêncio
Melodia

Encontro no tempo
O vento
O presente
O abraço

Encontro




4 de novembro de 2012

Na companhia do mar solitário


16:33 h
Fim de tarde de domingo
Vim ver o mar
O verde mar
Precisava de alguém para conversar
E o mar sempre parece disposto para nos ouvir falar, pensar...
O mar, sempre pronto para me receber
À minha esquerda, dezenas de pessoas desfrutam os privilégios desse lugar
Famílias, uma dupla de amigas, crianças e idosos
Do meu lado direito, outros compartilham o fim de uma tarde de domingo















Nessa brisa, nessa imensidão de mar esverdeado com espumas brancas... todos estão iluminados pelo sol que ainda não se foi, mantendo a cor do céu azul
A brisa que sopra me dá certo alívio
Agora estou sentado na areia da praia sobre minhas sandálias havainas
Pés descalços, mergulhados na areia...
Sinto o vento soprar e meu ânimo tomar fôlego
“Olá mar solitário... sua solidão sempre atrairá outros supostos solitários”















Na solidão do mar
Encontro encontros, encantos...
Nada é igual
Sobre a areia da praia, milhares e milhares de pegadas, são tantas que nem dá pra contar
Sobre a face das águas o vento inventa, desenha simultaneamente inúmeras digitais
Sopra vento
Passa tempo
Silêncio sereno
Mistura de cores
Abraço amores
Sinto saudades
E as minhas lembranças se tornaram banais
Exigências que a vida faz, vêm à existência, na tentativa de não deixar de existir já mais















Casais amigos
Olhares tranquilos
A leveza de quem tem abrigo
A tranquilidade de quem caminha só
Sobre essa areia, sou apenas mais um grão
Os grãos unidos se tornam milhares, infinitos
Uma gaivota rasga os céus
Voando contra e a favor do vento
Faz seu caminho no invisível
Um sinal de liberdade
Até na solidão somos acompanhados
De tempos em tempos, nossa rotina tende a mudar e nem adianta cantar o rebelde refrão de décadas atrás; pouco a pouco, todo mundo sabe que no final a regra de ouro é se reinventar...
Para mim é bem mais que uma simples adaptação
Apenas nos é entregue a função de viver



















Eu daqui, sou apenas um, mas nunca o mesmo para sempre
Agora mesmo me faço outro, me faço novo, de novo...
São as descontinuidades descontinuadas que insistem em continuar
Entre lembranças fragmentadas e desencontros de sentimentos
À todos nosso respeito e afeto
Ao amor dos iguais e ao amor dos nem tão diferentes assim
Nosso sim
Ao amor
Ao abraço
Ao abrigo
E à solidão
Obrigado mar, por ser tão atencioso e generoso conosco, na solidão ou não...


Obs: Passando pela areia do Cabo Branco, uma pequenina que deve ter pouco mais de um ano de vida, sentada na areia da praia brinca com os pais, com grãos de areia escorrendo de suas mãos, ela me segue com o olhar, insistentemente olha para mim, sorrindo suavemente acena com uma das mãozinhas, me dando um lindo tchau... Parece me abençoar.


No caminho de volta para casa, o sol mudou a cor do céu que era azul no leste, ao oeste todo o céu estava laranja dourado, era cor de fogo, brilhava o sol, no canto do horizonte, mas sem arder. A noite chegou, mas hoje a noite será de lua cheia.


Solitude - Uma reflexão sobre o tempo que corre e a necessidade de parar.
















Desde menino preservei um costume
No comecinho da manhã, ou no fim da tarde
Ia até a praia
Caminhando pela areia
De Tambaú até o Cabo Branco
Era o momento meu
Estava comigo
Andar por andar
Só para ver o mar
Hoje sei que isso significa um modo de resistência
Este é um tempo que chamo de meu
Acima da lei de produção capitalista
Um tempo meu
Para além das regras que nos movem sobre a terra
Nesse meu instante de caminhada o tempo parece parar
E se ele passa, vai devagar e sem pressa
Caminho na velocidade do meu pensamento
Pausado e sereno, respiro devagar













Meus olhos não miram em pontos fixos
Da praia vejo toda a costa litoral da cidade
Céu azul
Nuvens brancas
Mar esverdeado
Pequenas ondas, serenas como a brisa que vem do sul é o meu caminhar agora
Areia branca, dourada, desenhada e rabiscada pelos fios de água que escorrem entre os grãos... Devagar, delicadamente, rumo ao mar
Piso, ando, vagueio agora por muitos caminhos, mesmo sem sair do lugar
Diante da imensidão do céu e do infinito mar, sou um pequenino observador
E ao caminhar sobre os minúsculos caminhos de água sobre a areia da praia, sou um gigante
Paro com o pensamento, penso, respiro, contemplo tudo e volto a caminhar
Paro no tempo, mesmo diante de tantos afazeres
Preciso parar para viver














Paro caminhando
Paro vendo o mar
Paro tocando o horizonte
Paro ouvindo o silêncio do mundo nas ondas do mar
Para ouvindo o silêncio do tempo, no soprar do vento
Ouço o meu silêncio
Um banho de mar
Um banho de cachoeira e as forças serão restabelecidas
Minha esperança renovada, eu tranquilamente permaneço a caminhar
A caminhada continua
Estou voltando para continuar, para continuar sendo eu.