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23 de março de 2015

Poesia de Apartamento


Era uma segunda-feira
O sol não se esforçava em sair de trás das nuvens
A cidade amanhecia preguiçosa, enquanto muitos caminhavam só por obediência as regras impostas pelo tempo
Os ponteiros do relógio, não deixava ninguém perder 'as horas':
Hora de levantar! Hora de tomar banho! Hora do café! Hora de pegar o ônibus! Hora disso e hora daquilo!

Mas ele resistia, acordava em seu próprio tempo
Tudo em seu interior era serenidade
Ele não tinha presa
E fazia oposição as ordens dos ponteiros de forma leve e prazerosa
Ele não corria junto ao tempo que ia



Nesse ritmo conflituoso
Entre as demandas do dia
E a calma da alma
Canções o despertavam
Com afago, começava a semana

Em meio as melodias, ele se colocava de pé
Sentado na beira da cama
Sorria em gratidão
Firmava seus pés descalços no chão frio
Enquanto olhava ao redor, a casa que chamava de sua

Caminhando até a sala, abria as janelas da casa
Lá fora, ainda parecia bem cedo
Esquentava um leite no fogão
Enquanto num caderno, começava a escrever
O texto que você agora lê



Entre a melodia e a poesia
Habita o prazer das nossas vivências
Quem por acaso, pensa que em nosso cotidiano
Não há encanto
Engana-se...

Abra os olhos para o que já existe
Firmando os pés no chão
Perceba onde você está
Nem no passado, nem no futuro
O melhor do tempo, é o seu presente

Que tal uma xícara de leite quente, com chocolate, café e canela?





21 de março de 2015

La Edad Del Cielo - Jorge Drexler

"No somos más
Que una gota de luz,
Una estrella fugaz,
Una chispa, ran sólo,
En la edad del cielo
No somos lo
Que quiséramos ser,
Solo un breve latir
En un silencio antiguo
Con la edad del cielo

Calma,
Todo está en calma,
Deja que el beso dure,
Deja que el tiempo cure,
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo


No somos más
Que un puñado de mar,
Una broma de Dios,
Un capricho del sol
Del jardín del cielo
No dames pie
Entre tanto tic tac,
Entre tanto Big Bang,
Sólo un grano de sal
En el mar del cielo
Calma,
Todo está en calma,
Deja ue el beso dure,
Deja que el tiempo cure,
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la idad del cielo..."


20 de março de 2015

Seis Quatro Três / Um

É madrugada
E o silêncio da cidade, parece compreender minha saudade de você
Com os pés descalços, sinto o frio do chão
As lâmpadas da casa estão todas acesas
Acesas como as minhas memórias de você
É fato que não consegui te esquecer

Na sala, todos os livros reunidos observam atentamente enquanto escrevo
Tudo nesta casa, pareceu parado no tempo
Há um tempo atrás, a casa chorava comigo
Eis que aos poucos, fomos nos consolando
A casa, eu, os livros, as xícaras e os incensos
No início, não compreendíamos o fim

Fizemos segredo do nosso choro e da nossa dor, quando você se foi



Por muito tempo, esperamos você chegar
Sempre que a tarde caia, não demorava muito e você chegava para o jantar
Demorou, até que num certo momento, percebemos que a nossa rotina era uma outra
E aos poucos, fomos percebendo e preenchendo o vazio que você deixou

Estendemos um tapete na sala
Além dos livros, trouxemos vasos e flores para as estantes
No terraço, outras plantas pra cuidar
E nas xícaras, mais chás, café e leite

Entre um brinde e outro, o vinho me lembrava você




No sofá, as mesmas pessoas de sempre
As mesmas que nos acompanharam desde o começo de tudo
Minha família e os nossos amigos

E hoje, confesso que desisti de te esquecer
Lembro quando vem
Sigo de uma forma ou de outra

Não é possível esquecer, que um dia houve amor


14 de março de 2015

Um dia após o outro





Um dia após o outro
Um dia de cada vez
E a dor que nos impedia de caminhar
Já não faz mais sentido
Já não pode mais permanecer
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
E a gente vai lentamente se colocando de pé
Respirando fundo, pensando com calma
E já temos uma nova direção
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
Eis que a gente já voltou a caminhar
Mesmo que os olhos ainda persistam vez por outra marejados
E a cada novo passo, a nossa dor vai virando passado
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
E já conseguimos contemplar um novo horizonte
Amanhecer de chuva ou de céu azul
A nossa alma sabe o que deve fazer
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
E já não cobramos tanto de nós mesmos
Compreendemos a importância do choro e da dor
Sabemos do real significado de um sorriso nosso
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
Já não mais esperamos tanto da vida
Afinal de contas essa vida é nossa
E fizemos uma escolha: viver hoje
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
O passado ainda pode nos visitar
Mas o nosso presente, não pode esperar
Vivemos o hoje, com uma serenidade peculiar
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
Eis que os nossos passos estão cada vez mais firmes
Enquanto caminhamos observamos o mundo
Desde o por do sol, até o soprar do vento
Contemplar a vida também é viver
E as coisas pequenas nos são essenciais
Caminhemos sempre adiante...



"Pra começar
Cada coisa em seu lugar
E nada como um dia após o outro
Por que apressar?
Se nem sabe onde chegar
Correr em vão se o caminho é longo
Quem se soltar, da vida vai gostar
E a vida vai gostar de volta em dobro
E se tropeçar
Do chão não vai passar
Quem sete vezes cai, levanta oito
Quem julga saber
E esquece de aprender
Coitado de quem se interessa pouco
E quando chorar
Tristeza pra lavar
Num ombro cai metade do sufoco
O novo virá
Pra re-harmonizar
A terra, o ar, água e o fogo
E sem se queixar
As peças vão voltar
Pra mesma caixa no final do jogo
Pode esperar
O tempo nos dirá
Que nada como um dia após o outro
O tempo dirá
O tempo é que dirá
E nada como um dia apos o outro"
https://youtu.be/duaGQRtESyU

2 de março de 2015

Abraço de despedida

Ei, deixe a poesia brotar;
Não, não precisa ter medo;
Recomece sempre que desejar;
Cada parágrafo tem sua peculiaridade;
Cada abraço tem o seu medo evidente de saudade;
Sem dúvida, o abraço mais apertado é o abraço da despedida.



Você apertou a campainha
Desci as escadas com as chaves nas mãos
Enquanto você me esperava no portão
Abri o cadeado e nos cumprimentamos pelo olhar...
Não conseguimos olhar nos olhos por um segundo
E juntos, subimos as escadas...
Era a nossa despedida

Na sala, suas coisas já estavam separadas
Respiramos fundo e em silêncio era dito:
"Então é isso mesmo? Chegamos aqui...?!"
Sem nada dizer, concordei que sim

Meu mundo parou
Aquele parecia o evento mais importante da minha vida: o dia em que você voltaria ao nosso apartamento para retirar tudo o que era seu...
Eu não podia acreditar, eu não podia falar, eu não podia dizer, eu não podia chorar
Concordamos que nada mais poderia ser feito por nós dois

Você em silêncio dava passos lentos pela sala
Observava atentamente cada detalhe
Numa pausa, entendi que você se despedia
Me sentei no sofá
Eramos dois impotentes diante dos fatos
Cansados de tentar, cinco anos ao nosso lado
Mesmo assim a gente parecia se recusar em acreditar no fim



Você olhou para trás
Me viu no sofá
E ainda da sala, observava a cozinha
Vagarosamente caminhava até a porta daquele que havia sido por alguns anos o nosso quarto
Naquela hora, lembrei dos tempos quando não havia um quarto nosso
Lembrei dos amigos e amigas que nos acolheram
Lembrei das vezes que pagamos pra dormir, em hotéis, pousadas e motéis
Lembrei das outras vezes em que a gente não tinha o dinheiro pra dormir juntos
Lembrei das luas cheias, da areia da praia e da nossa sombra, uma do lado da outra

Enquanto lembrava, percebi que você já não estava mais na sala
Percebi que havia entrado pela porta do quarto
Compreendi que você também se despedia da gente

Havia prometido pra mim que não iria chorar
Prometi pra mim que não iria dizer uma única palavra
Prometi pra mim que não iria tentar compreender absolutamente nada

Havia compreendido que o fim seria o melhor pra nós dois
Compreendi que não havia vilão, nem mocinho
Compreendi que não havia culpado, nem coitadinho

Havia compreendido que nossa relação tinha dado muito certo
Compreendi que vivemos alguns dos melhores momentos de nossas vidas até então
Compreendi que agora, ali, o nosso amor já não era mais o mesmo
Por isso deveríamos seguir, cada um tentar projetar o seu próprio caminho

Me dei conta do quanto você demorava no quarto
Lentamente caminhei até a porta
Você estava de costas para a porta do quarto
Estava entre o quarto e o banheiro
Parecia observar cada detalhe

Me lembrei do quanto havia sido difícil alugar aquele espaço
Decidimos juntos por ele, entre tantos outros mais viáveis, escolhemos aquele
Cada móvel da casa tinha uma história peculiar
Aquele pequeno apartamento contava parte da nossa trajetória

Me escorei na entrada do quarto
E me despedia de você, enquanto você de despedia da gente...

E num pequeno instante, imaginei que a dor só doia em mim
Imaginei que você saia dali ileso
Imaginei você indiferente
Por isso havia decidido, em nada dizer, nada tentar, nada lamentar
Deveria apenas deixar você ir...

E naquele mesmo instante
Você se virou para a porta do quarto, onde eu estava escorado te observando
Desta vez, olhei em teus olhos e vi todo  teu rosto molhado
Não contive as lágrimas, não conseguia dizer nada, não consegui dar um único passo
Não compreendia suas lágrimas...
Vi sua imagem meio turva, com as lágrimas perdi o foco da visão
Percebi que você vinha em minha direção
Naquele instante, eu não via, nem compreendia muita coisa, apenas ouvia seu choro, apenas chorei com você o quanto doia em mim deixar você ir...



Abraçados em nosso quarto
Choramos nossa despedida
Você precisava seguir
Eu precisava deixar você ir

Naquele abraço apertado
A dor tornava-se maior
Parecia o nosso último abraço

Esquecemos dos vizinhos
Esquecemos do mundo
A nossa dor era mais forte

Nossos corpos
Nossas lágrimas
Nosso silêncio
Nossa despedida

Nos abraçamos e choramos no quarto, na sala, no terraço, no corredor, nas escadas e na calçada

Abraçados choramos pela despedida e sorrimos em gratidão a tudo que a gente construiu, compartilhou e superou durante nossa relação...

Eu e a saudade

Preciso confessar, algumas vezes enquanto caminhava, me perdi pelo caminho; 
Senti medo, frio e aquela angustia peculiar que nos aperta o estômago...
Você compreende quando falo daqueles momentos, onde a única certeza que temos é a de que nada sabemos?
Nessas horas precisei abraçar o silêncio e ouvir alguma melodia delicada que me acalmasse, ao menos por algum mísero instante;
Por muitas vezes respirei fundo, enquanto lágrimas molhavam meu rosto...
Sentir saudades de alguém, não é algo muito bom, menos ainda quando nos convencemos de que o não encontro é a melhor de todas as escolhas;
Hoje me perguntei se por acaso não estaria eu sendo o cara mais covarde, covarde comigo mesmo e com os meus sentimentos: "Por quais motivos você fica aí parado? Você ainda ama? E não vai contar do seu sentimento?!"
Desculpe, é que em tempos de saudades nos tornamos mais vulneráveis e costumamos recorrer ao "se eu tivesse feito assim";
Sei que o "respirar fundo" já apareceu neste texto, mas não vejo outro modo de expressar-me hoje... E por pretexto, respirei fundo;
Hoje acordei bem mais cedo que o de costume;
Procurei por alguém que "deveria" estar ao meu lado, na mesma cama... Apenas procurei e me lembrei;
Procurei por alguém que nos últimos cinco anos andou acordando comigo;
Hoje o tempo estava meio nublado e o silêncio do meu dia, abraçou a saudade que habitava em mim...
Não tive forças pra sair da cama, nem me esforcei pra isso;
Olhei para o telefone e esperei ouvir a voz que me dissesse: "Oi. Bom dia... Você está bem?! Ainda está deitado? Vamos sair pra almoçar fora hoje...?"
Eis que nesse diálogo, entre a saudade e eu, o passar das horas tornou-se imperceptível;
Pisquei os olhos e já passavam das 12 horas; nem o dia era mais inteiro, tudo era metade...
Sai da cama e preparei aquele café e o café me falou do quanto eu não era covarde;
Chorei diante da realidade, pensei na possibilidade de telefonar pra algum amigo e decidi me consolar sozinho... Voltei pra cama e escrevi algo parecido com o que você acabou de ler, um diálogo entre eu e a saudade...

28 de janeiro de 2015

Felicidade Cotidiana

Era uma manhã serena
Uma silenciosa manhã de verão
Mesmo invisível
Fazia-se impossível não perceber o vento
Soprava tranquilamente
Da mesma forma brilhava o sol
Tudo era suave
Ambos, a luz do sol e o soprar do vento
Entravam delicadamente pelas janelas
Pegavam-lhe pela mão:
"Venha meu amor..."
Diziam-lhe a luz do dia e o vento sul:
"Vamos dançar...?"
Havia algum espaço entre os móveis da sala
Numa estante haviam livros
Entre os livros, alguns mimos
Entre os mimos, incensos
A sala estava levemente iluminada e o vento espalhava delicadamente o perfume do incenso que fumaçava
E ela brilhava com o seu vestido florido
Brilhava com a luz do dia
Bailava graciosamente com o vento tranquilo
Bailavam numa melodia suave
Suave e serena
Sua alma bailava sobre o tapete branco da pequena sala de apartamento...

Foto Poesia

Floração dos ipês amarelos no Parque Solon de Lucena no Centro de João Pessoa-PB JAN/2015
Deixa a poesia brotar do chão
Eis que a semente germinou
Agora é somente uma árvore de ipê

No centro da cidade
No meio da tarde
A árvore é um sombreiro

Um ipê nos alivia
Ameniza o calor do meio dia
Brincando de colorir a melancolia

Entre automóveis e caminhantes apressados
Uma folha seca toca o chão
Quem vê a folha seca caindo, passa a caminhar mais leve

O ipê tem outros irmãos
Entre avenidas inquietas
Um jardim de árvores a florir numa mesma época

A copa do ipê sempre verde
Se transforma em aparentes galhos secos
Entre os galhos, botões de flores

Há beleza na árvore
Que no centro da cidade
Vai ficando delicadamente nua

Eis que o sombreiro não tem mais folhas
E num passe de mágicas
Toda sua copa é amarela

Imponente entre outras árvores
O ipê agora ilumina a cidade
Não importa se é dia de sol ou de chuva

Cada flor é singular
E o ciclo de vida do ipê hipnotiza alguns
Truque da mãe natureza

De flor em flor
A cada soprar do vento
As flores se deixam levar

Deixa ela saltar do alto da árvore
Lá do iluminado céu azul

Deixa ela bailar girando até colorir o asfalto
De flor em flor tudo fica dourado

15 de janeiro de 2014

Uma cidade chamada João Poesia












Era fim de tarde

E o sol se despedia da cidade

Todo preguiçoso

Todo faceiro

Em poucos segundos, sua luz era magia











E tudo o que a luz tocava era ouro

Observando os ipês amarelos

Espiei a lua

Ela surgia como o sol no início do dia

Beijando o mar

Menina serena

Por detrás das nuvens, parecia tentar esconder sua luz












Era dia e ela brilhava 


Era prata, era pérola, era a lua

E eu fotografando os ipês amarelos

Na despedida do sol

Na chegada da lua...

27 de dezembro de 2013

Uma pausa por favor














Entre um passo e outro
É necessário parar a caminhada, não só para rever o que estamos levando na mochila
Paramos para ver e ouvir o mar
Paramos para respirar com tranquilidade
Paramos para continuar caminhando...

26 de outubro de 2013

O tempo

O tempo, ah o tempo

Eis o senhor soberano como já diria a canção
Tempo (pausa), fonte de toda sabedoria
Espere. Ouça-o atentamente, tudo quanto diz

O tempo...

Para ouvi-lo, transforme seu pranto em silêncio
Sua aflição, em serenidade
Sua ansiedade em tranquilidade – mantenha a calma, o tempo, o seu tempo, passará...

Ouça-o batendo à porta, como o fez com Caymmi
Por meio do vento, o tempo chamará teu nome
Te envolverá, te acolherá, logo mais, logo menos você e o tempo, ambos embriagados num mesmo sofá

O tempo...

O melhor de todos os amigos
O melhor de todos os antídotos
Não dê ouvidos aos ruídos ou gritos

Não se pode contar o tempo apenas no relógio
Não se prende o tempo

Ele passará suavemente e em silêncio, como quem anda na ponta do pé, em plena madrugada pela casa
Como a mais graciosa das borboletas que cobiça a mais bela flor do jardim
Como a mais graciosa de todas as garças, plainará sobre a face do rio pintado de vermelho pelo pôr do sol
Passará o tempo como brisa, sem que se deixe notar
Num piscar de olhos, o tempo já não será o mesmo
Nem toda chuva é lágrima, nem todo sol é riso, nem todo brilho é ouro
Mas o tempo há de colorir a sua aquarela, sua vida bela em tela, toda rara, toda arte, toda melodia, toda Lenine
Diante do tempo, tudo se esvai, tudo se refaz, tudo vira líquido, fluído, flexível...
Observe o tempo


Foto do autor, retirada na cidade Guarabira, interior da Paraíba, numa noite de chuva.

25 de agosto de 2013

Fim de tarde...

Fim de tarde na Praia do Cabo Branco em João Pessoa/Paraíba. Foto do autor.
Era fim de tarde
E tudo mudava de cor
Até o soprar do vento, tornava-se mais suave...

Era fim de tarde
E tudo mudava de cor
Até o asfalto das ruas ficavam inexplicavelmente dourados...

Era fim de tarde
E tudo mudava de cor
Era a serenidade de mais um dia
Instante onde tudo vira poesia

A alma experimenta um clima diferente

Não há medo
Não há rancor
Não há dor

A leveza do fim da tarde chegou

Abra seu abraço
Sinta o chão, descalço
Feche os olhos
Sinta o vento

Se deixe levar, se deixe tocar pelo vento que chega até você...

Fim de tarde em Guarabira/Paraíba. Foto do autor.

O que pode um abraço?

Abraço apertado
Abraço amigo
Abraço de mãe
Abraço de vó
Um simples abraço
Um simples gesto: acolher...

22 de julho de 2013

Bom dia :)


Uma Pausa













Já fiquei emudecido diante de alguns desafios
Emudecido por precisar trilhar caminhos desconhecidos 
Normalmente diante de mudanças e transformações
Estas quase sempre repentinas, algumas pareciam intrusas 
Eis aí parte de nosso medo e insegurança
É o peculiar frio na barriga
Mãos gélidas
Olhos sonolentos
Pés cansados

No entanto o tempo segue sem intervalos
Não há pausas para reparos
Tudo acontece ao vivo
Alguns papéis são invertidos
Nossos pais chamam por nosso nome
Precisam do nosso braço para se apoiar
Já não possuem aquela tão boa visão
Agora andam lentamente, tateiam, teimam...

Enquanto isso o tempo não é mais o mesmo
E o mesmo tempo continua seguindo sem intervalos
A vida profissional se faz urgente
As responsabilidades cotidianas se avolumam
E no meio da caminhada um acidente, uma pausa
Uma pausa nossa no tempo que segue....

Nossa fragilidade humana vem à tona, revelada em lágrimas e sensações
Um olhar, um gesto amigo é providencial
O calor da matilha preserva muitas vidas
E outra vez somos fortalecidos
Ainda que incertezas nos olhem nos olhos
O amor aos nossos próximos nos guiará na noite fria, nos consolará na angustia, nos fortalecerá na fraqueza e nos renovará como a luz do sol de um novo dia.