Translate

6 de janeiro de 2025

Onde estão nossos sonhos? Eles estão bem aqui, dentro de nós...

Começamos um novo ano, um novo tempo, um novo ciclo

Onde estão nossos sonhos?

Respondo...

Nossos sonhos não se foram, eles não nos deixaram

Talvez, apenas estejam adormecidos dentro de nós

Ou, em algum lugar, bem guardados

Lajedo de Pai Mateus, Paraíba, 31 de dezembro de 2024. Autor: Fernando Domingos.

Percebi que faz algum tempo que não venho aqui

Nem sei se tem alguém passando por aqui e lendo o que escrevo

Também não sei se o que escrevo faz algum sentido


Na verdade, sinto falta de quando apenas escrevia

Sem me importar com meus próprios limites 

Sem questionar se o que escrevia era legítimo ou não


Sabemos que o tempo que se foi, não volta mais

Mas sabemos que nossa memória é aquela que conversa com o tempo, com os variados tempos

O tempo não volta, sabemos


As vezes, a gente só precisa compreender que o tempo é necessário

E em alguns momentos, a gente só precisa parar

Apenas deixar o tempo seguir


Nessas pausas, a gente pode pensar que está desistindo, abrindo mão ou perdendo alguma coisa

Mas as vezes, parece que a alma da gente grita em silêncio 

Quem está ao nosso redor, não escuta


Mas nós, sentimos, e ouvimos o pedido que está sendo feito

Quando o tempo corre acelerado

Tenho a sensação de estar mais lento que o mundo

João Pessoa, Paraíba, 2024. Autor: Fernando Domingos.

Houve um tempo, em que esse outro tempo que chamo de meu

Me fazia bem, me trazia iluminação, tranquilidade e esperança

Mas hoje, quando minha alma pede calma

Os compromissos agendados no calendário, pedem pressa 

É nesse instante que me vejo numa luta com o tempo e comigo


Meu ser, precisa de pausa e refrigério 

Minha alma, precisa de calma e silêncio

Enquanto isso, os prazos acadêmicos e financeiros não respeitam esse outro tempo/necessidade que existe em mim


Em alguns momentos, diante disso, posso me sentir atordoado 

Por várias vezes, me sinto preso numa espécie de instante

Lembrando uma peça ou objeto de vidro, que parece estar em queda livre rumo ao chão, onde sonhos também podem partir e se desfazer em pedaços 


Nessa hora, vejo minha existência capturada num instante entre o espaço e o tempo

Um instante, que só eu consigo acessar

As águas e os ventos passam por mim como tempestade 

Quem me vê, não visualiza, se quer imagina o movimento ao meu redor

Salvador, Bahia. Agosto de 2014. Autor: Fernando Domingos.

Num outro instante, fecho os olhos

Ao mesmo passo estou me vendo por dentro

Vejo uma luz infinita que ilumina meu interior 


Um universo que se apresenta em diversas camadas

Percebo o quando minha existência é complexa 

E num mesmo instante, me dou conta do quanto minha vida é extraordinária 


Nesse mesmo compasso, toda minha perspectiva é modificada

A força vital da vida que me sustenta, é renovada

Abro e fecho os olhos novamente

Vejo que estou me carregando nos braços 


Me abraço

Reencontro meus sonhos

Reafirmo que eles são meus 

Renasço em mim outra vez

Com os olhos marejados, contemplo o longo caminho que tenho pela frente e vejo desperto em mim um vibrante desejo de seguir

Já estou sorrindo e caminhando outra vez

Campina Granda, Paraíba. Janeiro, 2025. Autor: Fernando Domingos.

Minha pausas, são simples

Mas necessárias 

Posso simplesmente ouvir uma música 

Ou, caminhar pelas ruas da cidade

De preferência, com os pés na areia da praia

Também pode ser um reencontro dentro de um abraço amigo

Ou, no colo de mainha


E mais uma vez, me sinto seguro

Fortalecido, volto a caminhar


Me sinto feliz, por ter vindo aqui e por ter conseguido me conectar comigo

De alguma forma, a escrita e aleitura nos conectada e nos salva todos os dias

João Pessoa, Paraíba. Dezembro de 2024. Autor: Fernando Domingos.

8 de novembro de 2024

Ainda Estou Aqui - 2024

 “Ainda Estou Aqui” é tudo isso e mais um pouco do que você ouviu a crítica falar e escrever.

Fiz uma pausa, e fui ver a sessão de estreia de “Ainda Estou Aqui”. Aviso que meu reportório técnico é limitado. Deixo esta outra análise para os críticos experientes. Neste texto, falo como historiador e pessoa humana que sou.

Numa perspectiva histórica, o roteiro do filme é rico e denso em detalhes, contudo, envolvente/comovente. Por isso, consegue guiar o público por uma jornada e reflexão profunda sobre o Brasil. Vale lembrar, que o filme de Walter Salles é inspirado no livro escrito pelo Marcelo Rubens Paiva.



O ponto de partida é o cotidiano de uma família que tem sua rotina violentamente interrompida. Aos poucos, o cotidiano da cidade do RJ e o cotidiano daquela família vai sendo atravessado por outras rupturas bruscas e violências protagonizadas pela ditadura militar. 

Gradualmente a leveza e alegria daquela casa vai sendo capturada. Até que as cortinas se fecham, impedindo que a luz do sol anuncie um novo dia. Enquanto a vida tenta seguir, uma sequência de prisões, exílios (alguns não conscientes), interrogatórios, torturas, mortes e ocultação de corpos se sobrepõem como parte de um outro cotidiano sentido e vivido por alguns, mas não por todos.



Fiquei profundamente emocionado com o “não dito”, com “o choro que não foi visto”, e com “a dor que não foi vivida” diante das lentes e diante dos filhos de Eunice. “Ainda Estou Aqui”, rompe com a obviedade porque a dor precisou ser acolhida e vivida de uma/algumas outra(s) maneira(s). Uma vivência, pode ser constituída por muitas outras temporalidades e camadas, estas, que por sua vez, não se deixam ser capturadas por expectativa ou obviedade alguma.

Diante da tortura, o silêncio, o não dito e o sorriso são como estratégias para que a vida pudesse de alguma forma encontrar caminhos para sobreviver ao caos e a experiência indescritível, que é ter sua família como alvo de um projeto político de desumanização. “É preciso dar um jeito, meu amigo”.



As reflexões e ecos sobre “Ainda Estou Aqui”, seguiram na minha cabeça e em meu coração. Depois que vi o filme, demorei um pouco a dormir... fiquei pensando, nas muitas camadas que esse filme me despertou: A memória da tortura não se curva ao tempo. Sobreviver à tortura é possível? Como a gente lida com a negação do direito ao luto?

Não sei se estou certo disso, mas deduzi que o filme não foi pensado apenas para “nós outros”. Uma vez que o filme não alcançará apenas os amantes da sétima arte, ou um público que defende e que ama a democracia. Penso que esse filme também foi feito para ser visto pelos torturadores. Explico.

Se em meio às inomináveis violências, continuar vivendo é preciso. Mas como?

É aí quando o público espera o óbvio, pois, a obviedade do drama tem sua própria sequência e estética. Mas estas, aqui foram modificas, e o ato de viver o drama já não é mais o mesmo. É possível sobreviver a tortura? “Ainda Estou Aqui” responde enfaticamente: É necessário sobreviver à tortura. É necessário resistir. É necessário sorrir: “Sorriam!”



Sorrir é mais que resistir. Sorrir é ser subversivo! Sorrir é romper com a lógica da tortura da ditadura militar. 

Sorrir é uma reafirmação que apenas os sobreviventes, e as família daqueles que foram torturados e assassinados pela ditadura militar podem fazer na cara do torturador. E quando assim o fazem, estão dizendo: “Ainda Estou Aqui”, teimando, lutando e vivendo por justiça. 

Não chorar, não significa não sentir dor. A lágrima não secou, ela está ali. “Não é necessário chorar para sofrer”. Como bem disse Dilma Rousseff. 


O sorriso de uma família que foi sequestrada e torturada por militares, não é apenas um ato de resistência. Repito, sorrir é pura subversão da lógica do regime militar. O enfrentamento à ditadura e a luta por justiça, é abordado em “Ainda Estou Aqui”, através de um fio condutor sensível que atravessa o tempo. O próprio filme se constitui em si, como uma continuidade desse sorriso, dessa luta e dessa vida por justiça. 

As descontinuidades, os cortes e as rupturas nas cenas, o não acesso completo ao medo, a não captura completa da experiência de dor, e o não enquadramento do desespero é proposital. Não porque não cabe na tela. Não é porque as pessoas que estão assistindo não suportariam. O motivo é outro. “Ainda Estou Aqui”, além de ser uma obra de arte, também é discurso e ato político.



Do mesmo modo, a família que foi privada de velar e sepultar o corpo de Rubens Paiva, é a mesma que não chora diante da tortura, que não se entrega ao luto. Logo, o que um torturador mais anseia é assistir a dor, testemunhar o desespero, celebrar a angústia de quem foi sequestrado. Pois, a memória da tortura sequestra quem foi alvo da barbaridade. E este não se encerrou com a campanha pelas “Diretas Já”, nem mesmo com a Constituição Cidadã de 1988.

No lugar da rendição diante da barbárie, temos a celebração da vida. Diante do sequestro e das perseguições, temos um banho de mar, uma taça de sorvete. Diante da tortura, do assassinato e da ocultação de cadáveres, temos uma família reunida na mesa. Diante da estrutura e logística da ditadura militar, temos uma mulher lutando por justiça. 



“Ainda Estou Aqui”, comunica que a memória da tortura permanece viva, mesmo quando a faculdade da lembrança não é mais a mesma. Para sobreviventes, sempre haverá um “lugar de memória”. Mesmo com o passar do tempo e com uma doença neurodegenerativa, que compromete as funções mentais, o sorriso desenhado no rosto de quem sobrevive, tem o poder de fazer ruir a estrutura política da ditadura militar que usou a tortura como instrumento de controle. Mesmo assim, foi derrotada, condenada publicamente por seus crimes.  



Não lembro de outro filme que tenha me causado tal impacto ao abordar esta temática. “Ainda Estou Aqui”, conseguiu traduzir para o mundo que a ditadura militar brasileira foi um instrumento de promoção da desumanização tal qual foi o nazismo alemão. Mais que isto, os sobreviventes da ditadura militar, por meio de sua luta, sobrevivência e experiência dialoga com mundo, denunciando investidas totalitaristas e projetos políticos autoritários que insistem querer sequestrar nosso futuro. 

Obrigado, Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva.



24 de agosto de 2023

Areia da praia

Me deixo levar por meus pensamentos 

Sinto meus pés tocando o chão

A planta dos meus pés toca
a areia da praia

Ouço e sinto as águas do mar indo e voltando

Molhando meus pés

Me tocando a alma

Com os olhos fechados posso sentir o vento sul soprando e passando por todo meu corpo

A medida que ele passa, ele me toca e fica em mim

Renovando as forças da minha alma 

Me ninando nos braços da natureza

Estou entregue

Sou fragmento 

Sou pequeno

Sou grão de areia

Sou vento

Sou oceano 

Sou tempo

Sou espaço

Sou transformação

Sou empatia e compaixão

Sou prece, sou silêncio, sou oração, sou pensamento

Sou mais um alguém que luta para sobreviver

Sou um alguém que deseja viver uma vida com a qual sonhou

Vivo entre o desejo e a realidade

Entre a vontade e o possível

Silêncio, pensamento, prece, medo, amor, esperança


Se todo pensamento é oração

Hoje meu silêncio é uma simbiose mística

Me abrigo numa prece

Observo e reconheço medos que não dei nomes


Acolho inseguranças que sinto agora

A solidão faz eco na alma

O tempo parece suspenso

Por vezes, me sinto estático no mesmo tempo e espaço


Percebo o mundo em movimento

A terra mantém sua rotação

Mas nem ela consegue mais ser a mesma

Tudo agora parece estar em ebulição


O silêncio também é ação

De uma alma que segue sua jornada

Escolhendo memórias fragmentadas como vestígios

Embriagados pelo balé das marés e das águas da vida


O tempo é senhor que reina na quietude da alma

O mesmo tempo também é senhor soberano 

Sobre a fúria das larvas indomáveis de um vulcão

Nada escapa do tempo


Quer seja a força do desejo

Quer seja a leveza e a coragem de um Amor

Tão pouco uma ferida insistente na pele lesionada de um corpo idoso

Nem mesmo as guerras das ditas senhoras grandes potências 


Tudo se curvará diante do tempo senhor soberano

Todo medo acolhido será

Todo amor viverá livremente

E toda vida será vivida infinitamente 




5 de junho de 2023

Lembrança


Lembrança, é saudade bonita que a gente leva no peito.


Lembrança, é um traço do afeto e do cuidado que não segue regras do tempo.

Lembrança, não é religião, não é dogma.

Lembrança é sinônimo de sentimento bom.

Lembrança é memória afetiva de vida.

Lembrança, é horta cultivada no jardim de casa.

Lembrança, é café com tapioca, é mesa posta debaixo da árvore do nosso quintal.

Lembrança, é reverência, é respeito.

Lembrança, é jardim florido.

Lembrança, sempre será uma forma bonita de homenagear quem permanece viva com a gente.

Lembrança, é a memória simples de um abraço que a gente gostou de dar e mais ainda de receber.

Lembrança, é despedida desprendida, é oração que agradece o privilégio da convivência com uma pessoa tão iluminada.

Vó, que saudade boa da senhora.

Obrigado por tudo, sempre ⚘️💛

10 de abril de 2023

Ocupação, Cozinha Comunitária e Cine Sonho Verde

Mulheres lideram famílias numa ocupação

Mulheres lideram pessoas numa ocupação

Mulheres buscam um lugar onde se possa sonhar

Por isso ocupam, porque sonhar é um direito

Mulheres ocupam um lugar

Um lugar onde suas filhas e filhos possam crescer em liberdade

Um lugar onde suas crianças tenham segurança

Um lugar onde exista esperança e dignidade

Quem precisa não espera acontecer

Quem precisa não fica no chão

A mulher tem dentro de si a força mais linda que ninguém no mundo mais tem

Dentro de si a mulher tem a capacidade e o poder de gerar a vida

É a partir desse lugar de transformação

E é a partir desse lugar de criação

Que as mulheres se reúnem com um mesmo propósito

O propósito de gerar vida


E não há obstáculo que possa deter a força de um sonho coletivo

Não há obstáculo suficiente que seja suficiente para deter o poder do amor de uma mãe

Definitivamente não há obstáculo que possa resistir diante de um movimento que reúne dezenas de mulheres

E assim é a Cozinha Comunitária Sonho Verde




Mulheres que se reuniram diante dos desafios de uma vida vivida em vulnerabilidade social

Trata-se de uma comunidade que se reconhece como parte de um todo

Uma população que se olha nos olhos e sabe do que precisa

Juntas, cozinham para suas filhas e para seus filhos





O Sonho Verde tem gerado frutos 

A esperança é a boa semente que germinou em muitos corações

A comida na panela é o ato de amor e de solidariedade que transforma um cotidiano

Aqui o amor é revolução



Reencontro de irmãos

 A vida é muita coisa

Entre tantas possibilidades, ela é encontro

Habitei o mesmo útero que minha irmã

Mas ela não viu meus primeiros passos

A gente não foi junto para a escola

Não a defendi dos riscos do mundo

Ela não me viu dançar

Não a vi a aprendendo a tocar violão

A gente não estava junto quando choramos a dor de perder o primeiro amor ou a primeira amizade

Mas a gente se reconheceu num abraço

Estar com ela é como atravessar o tempo

Entregar, receber e compartilhar todas a flores e todas as dores de todas as estações que a gente já viveu na ausência do outro

A vida hoje é reencontro

Como é bom estar em teus braços

Como é bom te abraçar

Como é bom contigo cantar

Andar pela cidade, cumprimentar as pessoas que cruzam nosso caminho

Sentir e ouvir o mar

Como é bom estar no mesmo espaço que você está

Estou consciente da tua existência




5 de março de 2023

Saudade de Vó Teresinha

Minha saudade tem nome, memória e melodia  
Minha saudade tem refrão, vontade e sentimento bom 
Minha saudade tem aroma, tem forma, cor e sabor 
 Minha saudade transborda a moldura do quadro pendurado na parede
E por acaso não queria eu sentir, nem conviver com a saudade? 
Não sei como existiria sem sentir a saudade que tenho dela 
Logo, a saudade é privilégio porque sinto saudades por motivos e momentos bons que foram vividos 
Toda saudade é ausência? Dizem que sim, mas acho que saudade também é um pouco mais que isto
Saudade é presença acesa na memória 
É xícara de café colocada sobre a mesa coberta com plástico transparente pra deixar ver a toalha estampada e colorida
Queijo de manteiga, quanto mais do interior da Paraíba for, mais saboroso é 
Saudade é goma de tapioca cobrindo a frigideira
Saudade é presença da lembrança que tenho de Teresinha 
Bolo baeta saindo do forno 
Tá quentinho, tá cheiroso, tá bonito 
E se tá cheiroso tá gostoso
Saudade é presença da lembrança que rego como se fosse flor na varanda da casa de vó 
É palha de milho verde, sendo removida com cuidado pra mais tarde cobrir a pamonha 
 É canjica no fogo que a gente precisa mexer com frequência e intensidade pra não pegar 
Vó tem uma coisa que eu preciso saber: pra quem é que vai ficar esse taxo? "Tu quer pra tu?"
Saudade é presença da lembrança que se deixa perceber no vento frio que sopra em dia de calor 
É braço estendido e mão aberta que se estica para tocar meu rosto e me abençoar 
É olho no olho, de quem fazia isso e ouvia além do que a gente tinha necessidade de falar 
É abraço, esforço para doar a melhor acolhida, que deixava uma marca boa na alma e que nos sustentava por dias
Saudade é presença, é lembrança e memória dos infinitos dias cultivados na horta do quintal 
Manga cheirosa colhida no pé 
Suco de caju, maracujá e acerola que não tinha em canto nenhum. Desse aqui? Só na casa de vó!! 
É rabanada em mês de dezembro, pão francês cortado em rodelas, empanado, frito e bailarino numa bacia com açúcar e canela espalhando perfume na casa toda
Saudade é a presença da lembrança de quem ganhou cheiro na testa 
"Deus te abençoe meu filho" & "Deus te abençoe minha filha" 
Vestidos floridos e coloridos quarando no varal do quintal 
Uma aquarela de afetos


Saudade é presença, é lembrança 
É coco seco, descascado, quebrado e ralado pra colocar na tapioca 
Pés descalços ou sandália de dedo, folhas secas no quintal que é jardim 
É céu azul, raio do sol que brilhando e ilumina tocando o chão


Saudade é memória
    Saudade é lembrança
Saudade é retrato
Saudade é sentimento de gratidão


Saudade é passarinho que canta livre
Obrigado minha avó por ser presença na saudade tua que carrego comigo 
A senhora está acolhida na luz do amor 
Essa é a minha fé e a minha religião que aprendi contigo: o amor 
A saudade tá abraçada com a gratidão e a alegria de ter vivido todo esse tempo contigo

 
 Sinta e receba nosso amor aí Muito obrigado, Dona Teresinha.



21 de novembro de 2022

Viver, Sonhar

É possível viver sem sonhar? Suspeito que sim Mas como seria uma vida sem sonhos? Uma vida sem sonhos, uma existência sem poesias? Acredito que o sonhar é uma fomra da gente colorir a vida Estou falando de todas as cores Porque um sonho é feito de muitas etapas Reconheço que em todas elas existe uma ou algumas cores específicas Isso não quer dizer que entre o sonhar e o realizar Exista apenas sensações de leveza e alegria Sonhar é projetar desejos, traçar planos Desenhar um caminho rumo a um objetivo, vontade, desejo Colocar um projeto em prática, requer não apenas vontade Mas uma tomada de decisões, fazer escolhas, abrir mão, mudar a rota, recomeçar
E as vezes a gente escolhe errado Ou erramos depois de fazermos escolhas certas Vontade não é garantia de realização Para alguns, a vontade sozinha não basta Alguns trilham caminhos e lidam com realidades mais complexas A primavera não é a única estação por aqui Terreno plano e grama verde podem ser realidades mas não são regras Estrutura familiar e rede de apoio é um ideial inacessível para alguns Contudo, a vida e os sonhos são nossos E é bonito ter uma vida fortalecida por sonhos Sonhos que nos escolhem Sonhos que encontram e sonhos que libertam a gente A medida que a gente vive, a gente se sente frustrado, a gente se realiza Qual teu sonho de vida hoje? Gosto de sonhar acordado Gosto de sonhar sem mesmo negar a realidade

5 de outubro de 2022

Canto de pássaros livres

 A vida tem uma dinâmica própria

Essa dinâmica diz de uma leveza e de uma fluidez 

Quando alinhados com o propósito universal, nossa existência amplia em nós e dentro de nós

Uma sensação infinita de completude e de realização

Esse é um processo que construímos ao longo da nossa caminhada

Tecendo no campo do consciente e do inconsciente, um pacto de compromisso, compaixão e empatia com nossos sonhos, com nossos projetos, com pessoas que nos cercam, com a gente mesmo, com a nossa trajetória, com nossas conquistas e com nossos acertos

Mas é essencial sermos ainda mais empáticos e compassivos com nossas experiências de dores, de fracassos, de erros, equívocos, de desilusões, de medos e solidões

Nada, absolutamente nada se perde dentro desse universo infinito que nos constitui 

Por isso, lembre-se de que não é apenas preciso fazer aquilo que nos importa ou aquilo que é caro pra gente

Também é preciso, e talvez essencial acolher tudo que um dia nos tirou da zona de conforto

Algumas experiências das quais sentimos vergonha, medo, tristeza e tantas outras angustiantes inquietações

Essas vivências foram em algum momento responsáveis por nos levar a dar um passo que a gente não acreditava que era possível e capaz

Aquelas experiências transformaram-se na razão que nos levou para uma nova realidade de superação, de transformação e de recomeço

Experiências assim, também compõem nossa estrada, nos confiando sabedoria, conhecimento, sensibilidade e fortaleza

Nosso passado, de alguma forma delicada ou intensamente nos constitui sujeitos do tempo presente

E quanto mais ampliamos a consciência sobre nós mesmos, maior será nosso senso de humanidade e de direção

Que o caminho nos traga flores, campos verdes, águas correntes, brisa do mar, ventos do sul, canto de pássaros livres e abraços de compreensão, compaixão e afeto

Para além desse desejo bonito e dessa oração poética, já sabemos que o caminho é feito de pedras e de muitos desafios

Seja acolhimento e abraço para você

A gente precisa e merece

Foto: Fernando Domingos - Todo caminho é caminho de transformação - 09/22.

Sugestão de canção: Tempo de Crescer - Kleber Lucas 

25 de maio de 2022

Te encontrar

 Te encontrar me acalma

Quando te vejo sinto tanta coisa boa

Te ver sorrindo ao te encontrar

Teus olhos brilhando e sorrindo também

A gente caminhando na direção do outro com passos leves

Braços abertos para nos acolher

Um beijo na boca

Sinto orgulho de ti quando te vejo

Te admiro tanto

É tão leve estar com você

Uma sensação tão boa toma conta de mim

É como se encontrasse o melhor de mim

Há uma sensação de completude

É como se a sua presença me revelasse mais de mim

E me vejo numa outra dimensão 

Estou com os dois pés no chão

Mas gosto de conhecer o Fernando que a sua companhia me revela

E eu quero estar mais perto dele

Quero estar mais perto de você

Você me faz bem

Quando a gente marca de encontrar

Já sinto nossa energia boa no ar, mesmo antes de te ver

Gosto do teu abraço

Não me importa o depois

O que eu quero é o agora

É te abraçar também

E fazer do nosso encontro o momento que ele merece ser

Quero te ver mais vezes

Quero ver esse universo realista que vem à tona quando te encontro

Sem métrica, sem regra, sem rima, mas com a nossa melodia própria

Desejo que nosso encontro prossiga em leveza

Te olhar e sentir uma das melhores sensações que já tive nessa nova etapa da vida

Te encontrar é uma espécie de recomeço

Tô abrindo mão dos meus medos

A cada dia renuncio mais um

Eu te quero agora

Devagarinho

Mergulhando

No fundo do oceano

Não quero que o depois seja uma preocupação

O que é que a gente sente agora?

É isso que temos

A leveza do nosso encontro

Uma melodia que melhora quando nossas vozes fazem silêncio

Só pra gente se divertir com a melodia dos encontros do metais

As coisas podem ser melhores

Bem melhores

Além do que nós conseguimos imaginar

Tô te encontrando

E tô gostando de me reconhecer assim


22 de maio de 2022

Teimosia do desejo

A gente se aproximou

Mesmo com medo

Teimosia do desejo

Dentro de um abraço apertado

"Por que você é assim?"

E você me pergunta isso me olhando no olhos?

Vem devagarinho, dizia a canção

A gente vai dançando

Na Paraíba, no Rio Grande do Norte

A estrada como testemunha

Criamos regras inconscientes numa tentativa constante de conter danos

Mas qual seria o prejuízo de um encontro nosso?

Tentativas de frear o afeto?

Desejo e carinho, livres como água de rio descendo até encontrar o mar

A gente se derramou sorrindo

Tocando, cheirando, beijando e abraçando o corpo um do outro

E a insegurança não estava lá

Acordando cedo só pra ficar mais tempo na cama

Café da manhã como afeto

Um novo dia amanhecia

A alegria por melodia

Abraço com cheiro de café

Como não ficar exposto?

E o nosso medo de viver, de sentir, de desejar?

Perdemos o medo da chuva

Molhados e abraçados

Sua presença me faz bem

 E eu sei que você também gosta de estar comigo

Quando não estou contigo, sinto tua falta

Era esse o nosso medo?

De fazer e de receber carinho?

Medo de ser presença?

Não abriria mão desse encontro

Eu tô indo

E enquanto você vem

Sinto saudades