Translate

10 de julho de 2017

Palavras soltas, desconexas

Ele temia a solidão
Mas em tempos de chuva, gostava de ficar só
Ouvia Edit Piaf
Tomava chá, leite e café
Escrevia palavras soltas, desconexas, sem propósitos
Caminhava na orla, de uma ponta a outra
Via beleza no outono
Gostava das folhas secas encontrando a grama verde
Também via beleza nos ipês amarelos
Fica por horas diante do mar
Em silêncio, ele, sua alma e o mar
As vezes, mergulhado em seus silêncios, conseguia se refazer, se por de pé e lentamente, cantando alguma canção do rádio, ele voltava a caminhar.


9 de julho de 2017

Quando você se foi

Você foi e eu fiquei
Fiquei parado no tempo
Tentei fazer qualquer coisa
Fiz tudo o que podia
Mas tudo, absolutamente tudo
Tudo me trazia você

Você se foi e eu fiquei
Fiquei te esperando
Te esperei consciente
Inconscientemente te esperei
Nem você, nem eu
Ninguém voltou

Você se foi e o tempo parou
Por um instante, não sabia se era dia
Por alguns instantes, não sabia se era noite
O tempo converteu-se numa única eternidade
Tudo era inverno
Inverno era outono, haviam folhas no chão

Você se foi e eu chorei
Chorei como uma criança
Chorei de dor
Chorei por amor
Chorei para me consolar
Chorei tentando me fortalecer

Você se foi e me escondi
Me escondi da vida
Me escondi dos amores
Disse não à poesia
Evitei encontros
Mas não conseguia evitar você

Você se foi e eu me perdi
Esqueci como se ama, tentando não te amar
Busquei por novos caminhos
Descobri outros em mim
Percebi um outro eu sem você
Contudo, preferia você comigo

O tempo passou
O tempo passa
Mas é raro um dia que eu não lembre de você, de nós dois.


6 de julho de 2017

Sonetos Serenos

Sonetos serenos
Silêncios expostos

Ele fechava os olhos
E caminhava dentro de si

Entre lembranças
Entre afetos e memórias

Ele revivia sentimentos
Num momento entregava-se a melodias

Num outro era apenas resistência
Resistia ressentir aquilo que julgava improvável

Mas o improvável, existia
O improvável também resistia dentro si.

3 de julho de 2017

Não temia ser percebido feminino

Era intenso feito fogo
Não tinha medo de amar
Não temia sofrer

Era sereno feito vento
Um constante apaixonado
Não temia sentir

Amante, errante
Desvairado, debochado
Teimoso, delicado

Caminhava com tranquilidade
Buscava perceber o sentimento, em si, nos outros, no cotidiano

Não temia ser percebido enquanto memino
Não temia ser percebido feminino
Para viver seu amor, não mediria esforços

Não era homem disposto a certas negociações
Quando amava, amava mesmo


27 de maio de 2017

Caminhos, memórias e sentimentos

As horas passam
O vento muda de direção
Entre o dia e a noite, não percebo intervalos

Dentro de mim há uma pausa
No meu interior encontro melodias e sentimentos

Lembro de lugares onde estive
Lembro de pessoas que abracei
Lembro de sentimentos que vivi

Em meio às lembranças e aos meus sentimentos
Caminhos que trilhei se cruzam
Memórias se encontram

Memórias de um menino
Memórias de uma criança
Memórias de um homem
Memórias de um amante
Memórias de um pastor
Memórias de um filho
Memórias de um amigo
Memórias vividas, silenciadas, compartilhadas... memórias

Respiro intensamente
Acolho o grito do meu silêncio

Entre meus medos, meus limites e minhas inseguranças
Acolho num abraço os fragmentos de mim
O silêncio que escuto, me é oportuno

O tempo agora passa mais devagar
As angústias perdem aquela força peculiar

Rever caminhos, repensar projetos
Tenho algumas certezas
Entre elas, a necessidade e desejo de caminhar leve

A medida que escrevo
Removo dos meus ombros
E de minha alma
Tudo aquilo que pesa mais do que deveria

Que a leveza
Que a melodia
A alegria
E o sorriso generoso
Nos encontre em todos instantes
Especialmente, naqueles onde o tempo passa sem se deixar perceber

Um abraço afetuoso.







27 de abril de 2017

Memórias de um golpe

Logo após o 'fim' das eleições de 2014, percebemos por parte dos que foram derrotados pelas urnas o não reconhecimento do processo eleitoral. A partir dali, discursos constantes foram direcionados contra a presidenta reeleita, em sua grande maioria estes discursos buscavam desconstruir a imagem de Dilma, o ponto de partida de todos os ataques, concentravam-se num único fato: Uma mulher ocupava pela segunda o cargo mais cobiçado de um país.
Ainda no início de 2015, a Câmara Federal elegia Eduardo Cunha enquanto presidente. A oposição celebrava a eleição de Cunha enquanto uma derrota do PT. Todos os telejornais falavam a respeito das dificuldades que o governo teria para governar. Aqui ainda cabe lembrar da fala do Pastor Sila Malafaia - o maior malandro do mercado nacional da fé. O paspalho anunciava em seu programa de TV a vitória do 'povo de Deus' contra o 'demônio' que estaria encarnado em Dilma e no próprio PT.
Estava claro e posto que as dificuldades que o governo de Dilma iria enfrentar, não seriam poucas. No entanto, por mais que tivéssemos a mínima clareza dos fatos, suponho que a gente não esperava que em 26 de abril de 2017, o nosso país chegasse ao ponto que chegou.
Com Eduardo Cunha na presidência da Câmara Federal, todas as possíveis ações do governo Dilma foram praticamente sabotadas. Tenho dito que Dilma era a pessoa certa, na hora certa. Explico: acredito que a sua firmeza e decisão de não se curvar as chantagens feitas por todo o nosso sistema político, judiciário e midiático, permitiu que o povo brasileiro pudesse definitivamente compreender como o 'jogo' funciona - continuo.
Esse momento pode ser resumido na conversa de Renan Calheiros com o Romero Jucá:

**“Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, diz Jucá, um dos articuladores do impeachment de Dilma. Machado respondeu que era necessária “uma coisa política e rápida”.
**“Jucá acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. Machado disse: “aí parava tudo”. “É. Delimitava onde está, pronto”, respondeu Jucá, a respeito das investigações.
**JUCÁ – [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir.
Lhe pergunto: Quem hoje é o relator da Lava-jato? Marco Aurélio. Ex-advogado do PCC e investigado na própria Lava-jato. Será que o pacto funcionou?
E eis que um pacto nacional foi costurado e apresentado a nação em forma de 'pato amarelo' - quá quá!. Indústria, mídia, a classe política e jurídica, juntas,nesse PACTO NACIONAL. A TV Globo convocava a nação para protestar pela saída de Dilma. Na rua camisetas amarelas da CBF e dancinhas pedindo a saída de Dilma. Nas varandas dos condomínios de luxo, homens e mulheres de BENS, batiam nas panelas.
Em 31 de agosto de 2016, a presidenta Dilma Rousseff foi afastada do cargo. O pacto nacional funcionou. O acordo foi celebrado. Temer assumiu a presidência e desde então tem obtido o apoio do Senado e da Câmara Federal para 'pôr ordem' no País. Veja o que Aécio disse sobre o mandato do Drácula, digo, do Temer:
**"Apoiar esse governo para que faça as reformas que nós faríamos. Estimular este governo para que tome as medidas que nós tomaríamos. Para que enxugue o Estado como nós enxugaríamos. Para que coloque pessoas qualificadas como nós colocaríamos. Ele [Temer] tem que se preocupar em passar para a história como o presidente que teve coragem em, aproveitando um momento que o destino lhe ofereceu, para fazer aquilo que o governo do PT não fez".
Lembro-me das inúmeras conversas que tive com muita gente, gente do meu cotidiano, gente de casa, também com gente que não conhecia, que encontrava nas ruas ou nas filas do mercado, da padaria, nas paradas de ônibus. E quando falava sobre uma possível saída de Dilma e entrada de Temer no governo, diziam que eu fazia terrorismo.
Mas hoje, o chamado pacotes de maldades de Temer e de toda sua corja envolvida nesse pacto, chegou ao limite - será? 
É certo que hoje para os trabalhadores que apoiaram esse processo desde o seu embrião, estão testemunhando uma realidade que mais parece um pesadelo.

Confesso que sempre soube que essa elite não tinha escrúpulos algum para alcançar o poder e oprimir a população. Mesmo assim eu não esperava tanta desgraça em meu país.
E ainda vale considerar que, todas as decisões tomadas até aqui por esse PACTO/ACORDO NACIONAL, ainda não estão afetando diretamente o cotidiano das pessoas. 

Mais um dia, menos outro e iremos sentir na pele o que a mídia apresenta enquanto 'reforma' e medidas que dizem recuperar a economia. Recuperar a economia para quem? Já vi esse discurso do 'milagre econômico' que oprime e excluí os trabalhadores.

Eu sei de uma coisa... haverá reação.
E da mesma forma que subestimamos estes bandidos, hoje eles subestimam o povo brasileiro.

Mas esse suposto estado de inércia não permanecerá por muito tempo.
Por fim recorro a poesia de Chico Buarque:
"...Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro...

...Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar...

...Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa..."

Sexta-feira temos um encontro marcado, nas ruas desse Brasil.

26 de fevereiro de 2016

Minha criança

Vão fazer dois anos
Desde que voce se foi
Era um fim de tarde
Me lembro bem do sol se pondo
Quando voce me deixou
Desde então, foi fim de tarde em mim



Tentei retomar o folego
Uma por uma, enxuguei cada lágrima
Andei a deriva, como um determinado segue seu caminho, rumo a um objetivo
Eu não tinha nenhum
Em meus olhos, só havia voce
Tudo em meu caminho me fazia lembrar

Outras tantas vezes me pus a chorar
Tentativas vãs, de não mais sofrer
Entre verões e invernos
Algumas lembranças se desgarraram de mim
Eis que o tempo passava e começava a fazer efeito
E que bons efeitos... aos poucos voltei a respirar



Ainda hoje lembro voce
Mas hoje, não sinto mais a dor
Confesso, ainda ando por aí
As vezes, como quem não sabe bem onde quer chegar
Abri mão de muitas coisas, quando abri mão de voce

Quanto ao que eu sentia, quanto ao meu amor
Voce, eu e o tempo, o silenciou
Já não mais o escuto falar
Ainda que eu o sinta serenamente
Como a última folha que se solta da árvore
Num longo outono de ventos e melodias



Eis que a sua sombra me reapareceu
E ela me contou que aquele a quem um dia eu amei, não permaneceu
Era um menino, mas agora cresceu
O menino não existe mais, agora há apenas um homem feito

Quanto a mim, a morte do seu menino, libertou o meu
Permaneço o homem que fui, desde o dia que me conheceu
Mas não deixei morrer o meu menino



Eu, o homem e o menino que somos, correm pela grama
Mergulham no mar, flutuam sobre os corais e dançam na frente do espelho

Que a liberdade nos traga harmonia
Ao homem e ao menino

E que todas as crianças mortas em pessoas adultas, possam ressuscitar.

30 de novembro de 2015

Amanhecer grato

Com tranquilidade, sai da cama
Eis que o sol ainda não beija o Atlântico
Aos poucos, noite e dia se fundiam

O céu de estrelas
Ganhava tons coloridos
Alaranjados, violetas...

Entre cores no céu
Passarinhos cantavam
Bem-te-vi

Bom dia para você
Que caminha todos dias
Em constante melodia

27 de outubro de 2015

Sobre o amor: Photograph



Olha eu aqui outra vez, me transformando em textos e confissões.
São exatamente 02 horas e 41 minutos, madrugada de terça-feira, 27 de outubro de 2015.
É que ando perdendo o sono, enquanto ele não chega costumo ler livros, ouvir músicas, ver filmes, documentários ou vídeos bobos que circulam pela internet.


E hoje, decidi escrever... É bem provável que ninguém leia este texto...
É que escrever me faz bem...
Sinto um alívio quando faço isso.

Então vamos lá?!

Hoje me peguei vendo novela. Você acredita?! Nem eu acredito... (risos).
Confesso que não costumo acompanhar novelas, não sou tão disciplinado assim.

No entanto, vamos direto ao ponto, a novela que assisti hoje foi 'A Regra do Jogo'.
Pois bem, algumas cenas entre a atriz Giovanna Antonelli (Atena) e o Alexandre Nero (Romero), me tomaram por completo.
Os dois em cena são espetaculares, admiro o trabalho deles e quanto ao Nero, admiro suas opiniões.



Sobre o que vi hoje, quero dizer que fiquei emocionado.
Sabe quando sentimos algo que vem de dentro para fora?
Pois é, meus olhos ficaram lacrimejados e eu me vi na cena...
Ao menos, senti vontade de estar lá.

Não era exatamente vontade de estar lá.
Mas, percebi nos atores a 'química em cena'.
E a cena me convenceu, por isso senti vontade de 'amar'.

Hoje essa bendita novela me fez pensar no amor.
Não num amor ensaiado, programado...
Mas num amor livre, sem medos.

Num amor que sai de casa pelas ruas da cidade, sem ao menos decidir pra onde vai.
Afinal, quando estamos tomados pelo amor, o destino parece ser apenas um detalhe.

Quando temos ao nosso lado, alguém que amamos e que também nos ama, precisamos concordar...
O mundo vira de ponta cabeça.
Tudo é felicidade. E um conto de fadas começa a ser vivido.

Os maiores limites, tornam-se meros detalhes.
Ainda que esse alguém, more do outro lado da cidade.
Os riscos são reduzidos, qualquer esforço é mínimo para estar ao lado de quem amamos...

Não há percepção de sacrifícios, quando estamos com quem amamos.
Estar vivo, é algo que ganha um sentido extremamente peculiar.
Por mais que pareça insano, se alguém me lê agora, saberá exatamente do que falo, se um dia de fato amou alguém e paralelamente se sentiu amado...

Essa novela hoje me fez olhar além das 'janelinhas' que me cercam neste 'ap'...
Fazia tempo que não pensava no amor assim, enquanto algo possível, real, verdadeiro e bom.
É que as vezes o vento parece soprar contrário, ou contra o 'conto de fadas' - paciência.

Então, se por acaso alguém me lê 'hoje', eu tenho um objetivo com esse texto: ame.

Quando você estiver com alguém...
E quando você decidir mover o mundo ao seu redor para encontrar e estar com essa pessoa;
Ou então, quando você estiver com ela ou ele, e a companhia dele ou dela, te der aquela leve e maravilhosa sensação de leveza e de liberdade...

Faça-se um favor: Aproveite intensamente cada momento que puder ao lado dessa pessoa.

Amar, ser amado, estar ao lado de quem se ama e sentir-se livre, é sim algo raro e extremamente especial.
Poder ser você e deixar o outro ser... É algo que não podemos medir, apenas sentir, viver e compartilhar...

Ame.





Ps: Estou ouvindo Photograph - https://youtu.be/tIA_vrBDC1g
Vídeo com tradução: https://youtu.be/y7G-wch1kEk
Postando o texto às 03:37

16 de outubro de 2015

Sobre morar só: Que tal uma boa cerveja gelada?

Morar só, ser pós-graduando e independente não é nada fácil
Não se trata de lamento ou uma tentativa barata de imitar o Profeta Jeremias
Estou apenas me referindo ao meu cotidiano

Pois bem, ele é tomado de desafios
Sei que outras vidas também são uma constante de desafios
Mas como não costumo falar da vida alheia, - hehehehe - prefiro falar da minha...

Esse negócio de arrumar a casa é legal
Mas as vezes é tudo o que você não quer fazer
Em especial quando você tem toda uma demanda bem ampla

Arrumar a casa e manter o Lattes em dia, não é coisa fácil
Pagar as contas e comprar livros, são outros quinhentos
Mas todo sacrifício tem seu propósito maior

E morar só é sim uma coisa fofa
Adoro regar minhas plantas
Acender meus incensos
Mais ainda de lavar meu banheiro enquanto ouço uma boa música - eu e meus vizinhos - Claro!

Pois bem, no dia em que tudo estiver de pernas pro ar
Lembre-se de colocar apenas uma latinha de cerveja no congelador
Ouça aquela música suave sem muita frescura - nada de preocupação com a seleção/programe-se antes - é possível!

Com os pés descalços
Matando a sede de um corpo cansado
Em pouco tempo, você estará cochilando
Nada de perder o sono...

15 de outubro de 2015

Sobre morar só: Aquecendo a alma - um prato de sopa

Passavam das 23h quando decidi fazer aquela sopinha
Dizem que algumas comidas mais que alimentam o corpo
Aquecem a alma e em certas horas uma sopinha é boa companhia

Alho e óleo, cebola branca e cebola roxa
Um cadinho de carne moída e uma porção maior de 'carne' de soja
Folhas de louro e salsa desidratada

Adicionei água fervente, com um tablete de caldo de carne
Cenoura e batatinha picadas
Acelga, couve, cebolinha, coentro, gengibre e tomate

Confesso que o sono anda me abandonando nesta semana
Enquanto a sopa cozinhava, eu ia lavando a louça
Tudo numa melodia pra lá de fofa

Enquanto o incenso de melancia perfumava a casa
Coloquei uma cerveja pra gelar
Me imaginei tomando aquela latinha antes de deitar
Só pra relaxar, mas nem tomei

Morar só tem dessas coisas
As vezes a gente se sento só
Mas a gente gosta de estar só com a gente

Morar só não é bem uma solidão
Por opção ou não, a gente acabou indo morar ali
Temos família e amigos, pra lá de acolhedores

Mas não há lugar no mundo que seja melhor do que a nossa casinha
No nosso espaço tudo reina, um dia é o silêncio de uma biblioteca séria
Num outro dia é a melodia, suave ou alegremente dançante

Quando a gente em meio a uma dissertação, cansa do silêncio e da escrita solitária
A gente vai na padaria antes da noite chegar, ou convive com outras pessoas que dão voltas e voltas numa praça
Sempre recebo amigos e familiares aqui em casa, mas a cada dia vou me dando conta de que o leme desse barco é exclusivamente meu...






22 de julho de 2015

Coisas de menino


Quando menino, tentaram me dizer que poesia seria coisa de menina.

Por isso, para um menino não ficaria bem pensar em poesia.
E que essas coisas de observar o cair da tarde,
Enquanto o raio de sol deixa dourado tudo o que toca...
Definitivamente, não cairia bem para um menino.

Afinal, quem perceberia essa sensibilidade enquanto algo viril?

Não! Diga não a poesia.

Mas, exatamente por estar vivo.
Exatamente por respirar e caminhar sobre as ruas de outono,
É que me deixo, não apenas ser levado...
Mas em abraços, esse menino aqui, agora homem formado, se deixa embriagar pela poesia.

E eis, que a virtude masculina,
É a mesma da feminina: honrar a vida.

Sugiro ouvir a canção: Honrar la vida, na voz de Mercedes Sosa.
https://youtu.be/u8w9R7HE28Q

29 de maio de 2015

Um longo dia

Foi aos poucos
Foi meio sem perceber
Sempre que lembrava
Doia em mim


Tanto que lutei
Lutei pra não sentir mais
Até que me acostumei com a dor
Me rendi e continuei seguindo meu caminho

Foto: Fernando Domingos (Autor); Local: Centro Histórico de João Pessoa; Maio/2015


E quando dei por mim
A minha dor deixou de doer
Acho que ela se acostumou
Até que um dia ela se rendeu e seguiu seu caminho

Se a minha dor existe
Não a ouço mais
Se ele me toca
Não a sinto mais

Foto: Fernando Domingos (Autor); Local: Centro Histórico de João Pessoa; Maio/2015


Não sei bem como são as dores
Mas as minhas
Era um dia, um longo dia
Que virou noite e se perdeu no universo.

31 de março de 2015

Todas as cartas de amor são ridículas - Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são 
Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem 
Ridículas. 

Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
Como as outras, 
Ridículas. 

As cartas de amor, se há amor, 
Têm de ser 
Ridículas. 

Mas, afinal, 
Só as criaturas que nunca escreveram 
Cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

Quem me dera no tempo em que escrevia 
Sem dar por isso 
Cartas de amor 
Ridículas. 

A verdade é que hoje 
As minhas memórias 
Dessas cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

(Todas as palavras esdrúxulas, 
Como os sentimentos esdrúxulos, 
São naturalmente 
Ridículas.) 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

Amor com humor, por favor

O amor pode ser aquele 'inconveniente' que chega sem avisar e que entra sem bater. Normalmente, ele não costuma receber convites, é tipo o penetra caricato e irreverente.
O amor pode ser aquele que vem à existência sem um motivo especifico, ele apenas nos convence de que estamos encantados por alguém e isto basta. Pense num futuro! Ao menos no início, quando chega a 'prima Vera'... flores na sala, flores no quarto e não apenas flores nos jardins dos outros.


O amor pode ser aquela plantinha teimosa que mesmo sem ser regada, tá ali, sobrevivendo por si. Mas como uma boa plantinha - ai ai ai... - uma hora ela vai precisar ser regada. Afinal de contas, sabemos que nem todo dia cai chuva do céu. Sim, há quem viva de milagres!
O amor costuma ser bom, ser puro e altruísta. O amor persiste enquanto um sentimento nobre e leve. Ao menos ele tenta ser agradável, mas quando não é correspondido, vira chiclete derretido pelo sol na calçada. Por acaso existe coisa mais chata? Era melhor ter tropeçado numa pedra no meio do caminho... Ah uma pedra!



O amor costuma ser desastrado e por isso mesmo engraçado. Ele prepara o café da manhã, arruma tudo bem bonitinho numa bandeja e sem querer deixa o banquete cair na cama, ao som de um... "Bom dia Amor. Amor?!"
O amor normalmente é valente e corajoso, faz gago falar sem pestanejar, faz tartaruga correr em passos de lince, faz humano voar e isso sem tomar energético algum. O amor faz qualquer sedentário virar atleta olímpico. Coisinha, 2016 tá aí! Eu digo é nada!




O amor é simplesmente ridículo, só pra fazer lembrar Fernando Pessoa:


"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas."