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26 de fevereiro de 2016

Minha criança

Vão fazer dois anos
Desde que voce se foi
Era um fim de tarde
Me lembro bem do sol se pondo
Quando voce me deixou
Desde então, foi fim de tarde em mim



Tentei retomar o folego
Uma por uma, enxuguei cada lágrima
Andei a deriva, como um determinado segue seu caminho, rumo a um objetivo
Eu não tinha nenhum
Em meus olhos, só havia voce
Tudo em meu caminho me fazia lembrar

Outras tantas vezes me pus a chorar
Tentativas vãs, de não mais sofrer
Entre verões e invernos
Algumas lembranças se desgarraram de mim
Eis que o tempo passava e começava a fazer efeito
E que bons efeitos... aos poucos voltei a respirar



Ainda hoje lembro voce
Mas hoje, não sinto mais a dor
Confesso, ainda ando por aí
As vezes, como quem não sabe bem onde quer chegar
Abri mão de muitas coisas, quando abri mão de voce

Quanto ao que eu sentia, quanto ao meu amor
Voce, eu e o tempo, o silenciou
Já não mais o escuto falar
Ainda que eu o sinta serenamente
Como a última folha que se solta da árvore
Num longo outono de ventos e melodias



Eis que a sua sombra me reapareceu
E ela me contou que aquele a quem um dia eu amei, não permaneceu
Era um menino, mas agora cresceu
O menino não existe mais, agora há apenas um homem feito

Quanto a mim, a morte do seu menino, libertou o meu
Permaneço o homem que fui, desde o dia que me conheceu
Mas não deixei morrer o meu menino



Eu, o homem e o menino que somos, correm pela grama
Mergulham no mar, flutuam sobre os corais e dançam na frente do espelho

Que a liberdade nos traga harmonia
Ao homem e ao menino

E que todas as crianças mortas em pessoas adultas, possam ressuscitar.

30 de novembro de 2015

Amanhecer grato

Com tranquilidade, sai da cama
Eis que o sol ainda não beija o Atlântico
Aos poucos, noite e dia se fundiam

O céu de estrelas
Ganhava tons coloridos
Alaranjados, violetas...

Entre cores no céu
Passarinhos cantavam
Bem-te-vi

Bom dia para você
Que caminha todos dias
Em constante melodia

27 de outubro de 2015

Sobre o amor: Photograph



Olha eu aqui outra vez, me transformando em textos e confissões.
São exatamente 02 horas e 41 minutos, madrugada de terça-feira, 27 de outubro de 2015.
É que ando perdendo o sono, enquanto ele não chega costumo ler livros, ouvir músicas, ver filmes, documentários ou vídeos bobos que circulam pela internet.


E hoje, decidi escrever... É bem provável que ninguém leia este texto...
É que escrever me faz bem...
Sinto um alívio quando faço isso.

Então vamos lá?!

Hoje me peguei vendo novela. Você acredita?! Nem eu acredito... (risos).
Confesso que não costumo acompanhar novelas, não sou tão disciplinado assim.

No entanto, vamos direto ao ponto, a novela que assisti hoje foi 'A Regra do Jogo'.
Pois bem, algumas cenas entre a atriz Giovanna Antonelli (Atena) e o Alexandre Nero (Romero), me tomaram por completo.
Os dois em cena são espetaculares, admiro o trabalho deles e quanto ao Nero, admiro suas opiniões.



Sobre o que vi hoje, quero dizer que fiquei emocionado.
Sabe quando sentimos algo que vem de dentro para fora?
Pois é, meus olhos ficaram lacrimejados e eu me vi na cena...
Ao menos, senti vontade de estar lá.

Não era exatamente vontade de estar lá.
Mas, percebi nos atores a 'química em cena'.
E a cena me convenceu, por isso senti vontade de 'amar'.

Hoje essa bendita novela me fez pensar no amor.
Não num amor ensaiado, programado...
Mas num amor livre, sem medos.

Num amor que sai de casa pelas ruas da cidade, sem ao menos decidir pra onde vai.
Afinal, quando estamos tomados pelo amor, o destino parece ser apenas um detalhe.

Quando temos ao nosso lado, alguém que amamos e que também nos ama, precisamos concordar...
O mundo vira de ponta cabeça.
Tudo é felicidade. E um conto de fadas começa a ser vivido.

Os maiores limites, tornam-se meros detalhes.
Ainda que esse alguém, more do outro lado da cidade.
Os riscos são reduzidos, qualquer esforço é mínimo para estar ao lado de quem amamos...

Não há percepção de sacrifícios, quando estamos com quem amamos.
Estar vivo, é algo que ganha um sentido extremamente peculiar.
Por mais que pareça insano, se alguém me lê agora, saberá exatamente do que falo, se um dia de fato amou alguém e paralelamente se sentiu amado...

Essa novela hoje me fez olhar além das 'janelinhas' que me cercam neste 'ap'...
Fazia tempo que não pensava no amor assim, enquanto algo possível, real, verdadeiro e bom.
É que as vezes o vento parece soprar contrário, ou contra o 'conto de fadas' - paciência.

Então, se por acaso alguém me lê 'hoje', eu tenho um objetivo com esse texto: ame.

Quando você estiver com alguém...
E quando você decidir mover o mundo ao seu redor para encontrar e estar com essa pessoa;
Ou então, quando você estiver com ela ou ele, e a companhia dele ou dela, te der aquela leve e maravilhosa sensação de leveza e de liberdade...

Faça-se um favor: Aproveite intensamente cada momento que puder ao lado dessa pessoa.

Amar, ser amado, estar ao lado de quem se ama e sentir-se livre, é sim algo raro e extremamente especial.
Poder ser você e deixar o outro ser... É algo que não podemos medir, apenas sentir, viver e compartilhar...

Ame.





Ps: Estou ouvindo Photograph - https://youtu.be/tIA_vrBDC1g
Vídeo com tradução: https://youtu.be/y7G-wch1kEk
Postando o texto às 03:37

16 de outubro de 2015

Sobre morar só: Que tal uma boa cerveja gelada?

Morar só, ser pós-graduando e independente não é nada fácil
Não se trata de lamento ou uma tentativa barata de imitar o Profeta Jeremias
Estou apenas me referindo ao meu cotidiano

Pois bem, ele é tomado de desafios
Sei que outras vidas também são uma constante de desafios
Mas como não costumo falar da vida alheia, - hehehehe - prefiro falar da minha...

Esse negócio de arrumar a casa é legal
Mas as vezes é tudo o que você não quer fazer
Em especial quando você tem toda uma demanda bem ampla

Arrumar a casa e manter o Lattes em dia, não é coisa fácil
Pagar as contas e comprar livros, são outros quinhentos
Mas todo sacrifício tem seu propósito maior

E morar só é sim uma coisa fofa
Adoro regar minhas plantas
Acender meus incensos
Mais ainda de lavar meu banheiro enquanto ouço uma boa música - eu e meus vizinhos - Claro!

Pois bem, no dia em que tudo estiver de pernas pro ar
Lembre-se de colocar apenas uma latinha de cerveja no congelador
Ouça aquela música suave sem muita frescura - nada de preocupação com a seleção/programe-se antes - é possível!

Com os pés descalços
Matando a sede de um corpo cansado
Em pouco tempo, você estará cochilando
Nada de perder o sono...

15 de outubro de 2015

Sobre morar só: Aquecendo a alma - um prato de sopa

Passavam das 23h quando decidi fazer aquela sopinha
Dizem que algumas comidas mais que alimentam o corpo
Aquecem a alma e em certas horas uma sopinha é boa companhia

Alho e óleo, cebola branca e cebola roxa
Um cadinho de carne moída e uma porção maior de 'carne' de soja
Folhas de louro e salsa desidratada

Adicionei água fervente, com um tablete de caldo de carne
Cenoura e batatinha picadas
Acelga, couve, cebolinha, coentro, gengibre e tomate

Confesso que o sono anda me abandonando nesta semana
Enquanto a sopa cozinhava, eu ia lavando a louça
Tudo numa melodia pra lá de fofa

Enquanto o incenso de melancia perfumava a casa
Coloquei uma cerveja pra gelar
Me imaginei tomando aquela latinha antes de deitar
Só pra relaxar, mas nem tomei

Morar só tem dessas coisas
As vezes a gente se sento só
Mas a gente gosta de estar só com a gente

Morar só não é bem uma solidão
Por opção ou não, a gente acabou indo morar ali
Temos família e amigos, pra lá de acolhedores

Mas não há lugar no mundo que seja melhor do que a nossa casinha
No nosso espaço tudo reina, um dia é o silêncio de uma biblioteca séria
Num outro dia é a melodia, suave ou alegremente dançante

Quando a gente em meio a uma dissertação, cansa do silêncio e da escrita solitária
A gente vai na padaria antes da noite chegar, ou convive com outras pessoas que dão voltas e voltas numa praça
Sempre recebo amigos e familiares aqui em casa, mas a cada dia vou me dando conta de que o leme desse barco é exclusivamente meu...






22 de julho de 2015

Coisas de menino


Quando menino, tentaram me dizer que poesia seria coisa de menina.

Por isso, para um menino não ficaria bem pensar em poesia.
E que essas coisas de observar o cair da tarde,
Enquanto o raio de sol deixa dourado tudo o que toca...
Definitivamente, não cairia bem para um menino.

Afinal, quem perceberia essa sensibilidade enquanto algo viril?

Não! Diga não a poesia.

Mas, exatamente por estar vivo.
Exatamente por respirar e caminhar sobre as ruas de outono,
É que me deixo, não apenas ser levado...
Mas em abraços, esse menino aqui, agora homem formado, se deixa embriagar pela poesia.

E eis, que a virtude masculina,
É a mesma da feminina: honrar a vida.

Sugiro ouvir a canção: Honrar la vida, na voz de Mercedes Sosa.
https://youtu.be/u8w9R7HE28Q

29 de maio de 2015

Um longo dia

Foi aos poucos
Foi meio sem perceber
Sempre que lembrava
Doia em mim


Tanto que lutei
Lutei pra não sentir mais
Até que me acostumei com a dor
Me rendi e continuei seguindo meu caminho

Foto: Fernando Domingos (Autor); Local: Centro Histórico de João Pessoa; Maio/2015


E quando dei por mim
A minha dor deixou de doer
Acho que ela se acostumou
Até que um dia ela se rendeu e seguiu seu caminho

Se a minha dor existe
Não a ouço mais
Se ele me toca
Não a sinto mais

Foto: Fernando Domingos (Autor); Local: Centro Histórico de João Pessoa; Maio/2015


Não sei bem como são as dores
Mas as minhas
Era um dia, um longo dia
Que virou noite e se perdeu no universo.

31 de março de 2015

Todas as cartas de amor são ridículas - Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são 
Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem 
Ridículas. 

Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
Como as outras, 
Ridículas. 

As cartas de amor, se há amor, 
Têm de ser 
Ridículas. 

Mas, afinal, 
Só as criaturas que nunca escreveram 
Cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

Quem me dera no tempo em que escrevia 
Sem dar por isso 
Cartas de amor 
Ridículas. 

A verdade é que hoje 
As minhas memórias 
Dessas cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

(Todas as palavras esdrúxulas, 
Como os sentimentos esdrúxulos, 
São naturalmente 
Ridículas.) 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

Amor com humor, por favor

O amor pode ser aquele 'inconveniente' que chega sem avisar e que entra sem bater. Normalmente, ele não costuma receber convites, é tipo o penetra caricato e irreverente.
O amor pode ser aquele que vem à existência sem um motivo especifico, ele apenas nos convence de que estamos encantados por alguém e isto basta. Pense num futuro! Ao menos no início, quando chega a 'prima Vera'... flores na sala, flores no quarto e não apenas flores nos jardins dos outros.


O amor pode ser aquela plantinha teimosa que mesmo sem ser regada, tá ali, sobrevivendo por si. Mas como uma boa plantinha - ai ai ai... - uma hora ela vai precisar ser regada. Afinal de contas, sabemos que nem todo dia cai chuva do céu. Sim, há quem viva de milagres!
O amor costuma ser bom, ser puro e altruísta. O amor persiste enquanto um sentimento nobre e leve. Ao menos ele tenta ser agradável, mas quando não é correspondido, vira chiclete derretido pelo sol na calçada. Por acaso existe coisa mais chata? Era melhor ter tropeçado numa pedra no meio do caminho... Ah uma pedra!



O amor costuma ser desastrado e por isso mesmo engraçado. Ele prepara o café da manhã, arruma tudo bem bonitinho numa bandeja e sem querer deixa o banquete cair na cama, ao som de um... "Bom dia Amor. Amor?!"
O amor normalmente é valente e corajoso, faz gago falar sem pestanejar, faz tartaruga correr em passos de lince, faz humano voar e isso sem tomar energético algum. O amor faz qualquer sedentário virar atleta olímpico. Coisinha, 2016 tá aí! Eu digo é nada!




O amor é simplesmente ridículo, só pra fazer lembrar Fernando Pessoa:


"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas."

23 de março de 2015

Poesia de Apartamento


Era uma segunda-feira
O sol não se esforçava em sair de trás das nuvens
A cidade amanhecia preguiçosa, enquanto muitos caminhavam só por obediência as regras impostas pelo tempo
Os ponteiros do relógio, não deixava ninguém perder 'as horas':
Hora de levantar! Hora de tomar banho! Hora do café! Hora de pegar o ônibus! Hora disso e hora daquilo!

Mas ele resistia, acordava em seu próprio tempo
Tudo em seu interior era serenidade
Ele não tinha presa
E fazia oposição as ordens dos ponteiros de forma leve e prazerosa
Ele não corria junto ao tempo que ia



Nesse ritmo conflituoso
Entre as demandas do dia
E a calma da alma
Canções o despertavam
Com afago, começava a semana

Em meio as melodias, ele se colocava de pé
Sentado na beira da cama
Sorria em gratidão
Firmava seus pés descalços no chão frio
Enquanto olhava ao redor, a casa que chamava de sua

Caminhando até a sala, abria as janelas da casa
Lá fora, ainda parecia bem cedo
Esquentava um leite no fogão
Enquanto num caderno, começava a escrever
O texto que você agora lê



Entre a melodia e a poesia
Habita o prazer das nossas vivências
Quem por acaso, pensa que em nosso cotidiano
Não há encanto
Engana-se...

Abra os olhos para o que já existe
Firmando os pés no chão
Perceba onde você está
Nem no passado, nem no futuro
O melhor do tempo, é o seu presente

Que tal uma xícara de leite quente, com chocolate, café e canela?





21 de março de 2015

La Edad Del Cielo - Jorge Drexler

"No somos más
Que una gota de luz,
Una estrella fugaz,
Una chispa, ran sólo,
En la edad del cielo
No somos lo
Que quiséramos ser,
Solo un breve latir
En un silencio antiguo
Con la edad del cielo

Calma,
Todo está en calma,
Deja que el beso dure,
Deja que el tiempo cure,
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo


No somos más
Que un puñado de mar,
Una broma de Dios,
Un capricho del sol
Del jardín del cielo
No dames pie
Entre tanto tic tac,
Entre tanto Big Bang,
Sólo un grano de sal
En el mar del cielo
Calma,
Todo está en calma,
Deja ue el beso dure,
Deja que el tiempo cure,
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la idad del cielo..."


20 de março de 2015

Seis Quatro Três / Um

É madrugada
E o silêncio da cidade, parece compreender minha saudade de você
Com os pés descalços, sinto o frio do chão
As lâmpadas da casa estão todas acesas
Acesas como as minhas memórias de você
É fato que não consegui te esquecer

Na sala, todos os livros reunidos observam atentamente enquanto escrevo
Tudo nesta casa, pareceu parado no tempo
Há um tempo atrás, a casa chorava comigo
Eis que aos poucos, fomos nos consolando
A casa, eu, os livros, as xícaras e os incensos
No início, não compreendíamos o fim

Fizemos segredo do nosso choro e da nossa dor, quando você se foi



Por muito tempo, esperamos você chegar
Sempre que a tarde caia, não demorava muito e você chegava para o jantar
Demorou, até que num certo momento, percebemos que a nossa rotina era uma outra
E aos poucos, fomos percebendo e preenchendo o vazio que você deixou

Estendemos um tapete na sala
Além dos livros, trouxemos vasos e flores para as estantes
No terraço, outras plantas pra cuidar
E nas xícaras, mais chás, café e leite

Entre um brinde e outro, o vinho me lembrava você




No sofá, as mesmas pessoas de sempre
As mesmas que nos acompanharam desde o começo de tudo
Minha família e os nossos amigos

E hoje, confesso que desisti de te esquecer
Lembro quando vem
Sigo de uma forma ou de outra

Não é possível esquecer, que um dia houve amor


14 de março de 2015

Um dia após o outro





Um dia após o outro
Um dia de cada vez
E a dor que nos impedia de caminhar
Já não faz mais sentido
Já não pode mais permanecer
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
E a gente vai lentamente se colocando de pé
Respirando fundo, pensando com calma
E já temos uma nova direção
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
Eis que a gente já voltou a caminhar
Mesmo que os olhos ainda persistam vez por outra marejados
E a cada novo passo, a nossa dor vai virando passado
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
E já conseguimos contemplar um novo horizonte
Amanhecer de chuva ou de céu azul
A nossa alma sabe o que deve fazer
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
E já não cobramos tanto de nós mesmos
Compreendemos a importância do choro e da dor
Sabemos do real significado de um sorriso nosso
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
Já não mais esperamos tanto da vida
Afinal de contas essa vida é nossa
E fizemos uma escolha: viver hoje
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
O passado ainda pode nos visitar
Mas o nosso presente, não pode esperar
Vivemos o hoje, com uma serenidade peculiar
Um dia após o outro
Um dia de cada vez
Eis que os nossos passos estão cada vez mais firmes
Enquanto caminhamos observamos o mundo
Desde o por do sol, até o soprar do vento
Contemplar a vida também é viver
E as coisas pequenas nos são essenciais
Caminhemos sempre adiante...



"Pra começar
Cada coisa em seu lugar
E nada como um dia após o outro
Por que apressar?
Se nem sabe onde chegar
Correr em vão se o caminho é longo
Quem se soltar, da vida vai gostar
E a vida vai gostar de volta em dobro
E se tropeçar
Do chão não vai passar
Quem sete vezes cai, levanta oito
Quem julga saber
E esquece de aprender
Coitado de quem se interessa pouco
E quando chorar
Tristeza pra lavar
Num ombro cai metade do sufoco
O novo virá
Pra re-harmonizar
A terra, o ar, água e o fogo
E sem se queixar
As peças vão voltar
Pra mesma caixa no final do jogo
Pode esperar
O tempo nos dirá
Que nada como um dia após o outro
O tempo dirá
O tempo é que dirá
E nada como um dia apos o outro"
https://youtu.be/duaGQRtESyU

2 de março de 2015

Abraço de despedida

Ei, deixe a poesia brotar;
Não, não precisa ter medo;
Recomece sempre que desejar;
Cada parágrafo tem sua peculiaridade;
Cada abraço tem o seu medo evidente de saudade;
Sem dúvida, o abraço mais apertado é o abraço da despedida.



Você apertou a campainha
Desci as escadas com as chaves nas mãos
Enquanto você me esperava no portão
Abri o cadeado e nos cumprimentamos pelo olhar...
Não conseguimos olhar nos olhos por um segundo
E juntos, subimos as escadas...
Era a nossa despedida

Na sala, suas coisas já estavam separadas
Respiramos fundo e em silêncio era dito:
"Então é isso mesmo? Chegamos aqui...?!"
Sem nada dizer, concordei que sim

Meu mundo parou
Aquele parecia o evento mais importante da minha vida: o dia em que você voltaria ao nosso apartamento para retirar tudo o que era seu...
Eu não podia acreditar, eu não podia falar, eu não podia dizer, eu não podia chorar
Concordamos que nada mais poderia ser feito por nós dois

Você em silêncio dava passos lentos pela sala
Observava atentamente cada detalhe
Numa pausa, entendi que você se despedia
Me sentei no sofá
Eramos dois impotentes diante dos fatos
Cansados de tentar, cinco anos ao nosso lado
Mesmo assim a gente parecia se recusar em acreditar no fim



Você olhou para trás
Me viu no sofá
E ainda da sala, observava a cozinha
Vagarosamente caminhava até a porta daquele que havia sido por alguns anos o nosso quarto
Naquela hora, lembrei dos tempos quando não havia um quarto nosso
Lembrei dos amigos e amigas que nos acolheram
Lembrei das vezes que pagamos pra dormir, em hotéis, pousadas e motéis
Lembrei das outras vezes em que a gente não tinha o dinheiro pra dormir juntos
Lembrei das luas cheias, da areia da praia e da nossa sombra, uma do lado da outra

Enquanto lembrava, percebi que você já não estava mais na sala
Percebi que havia entrado pela porta do quarto
Compreendi que você também se despedia da gente

Havia prometido pra mim que não iria chorar
Prometi pra mim que não iria dizer uma única palavra
Prometi pra mim que não iria tentar compreender absolutamente nada

Havia compreendido que o fim seria o melhor pra nós dois
Compreendi que não havia vilão, nem mocinho
Compreendi que não havia culpado, nem coitadinho

Havia compreendido que nossa relação tinha dado muito certo
Compreendi que vivemos alguns dos melhores momentos de nossas vidas até então
Compreendi que agora, ali, o nosso amor já não era mais o mesmo
Por isso deveríamos seguir, cada um tentar projetar o seu próprio caminho

Me dei conta do quanto você demorava no quarto
Lentamente caminhei até a porta
Você estava de costas para a porta do quarto
Estava entre o quarto e o banheiro
Parecia observar cada detalhe

Me lembrei do quanto havia sido difícil alugar aquele espaço
Decidimos juntos por ele, entre tantos outros mais viáveis, escolhemos aquele
Cada móvel da casa tinha uma história peculiar
Aquele pequeno apartamento contava parte da nossa trajetória

Me escorei na entrada do quarto
E me despedia de você, enquanto você de despedia da gente...

E num pequeno instante, imaginei que a dor só doia em mim
Imaginei que você saia dali ileso
Imaginei você indiferente
Por isso havia decidido, em nada dizer, nada tentar, nada lamentar
Deveria apenas deixar você ir...

E naquele mesmo instante
Você se virou para a porta do quarto, onde eu estava escorado te observando
Desta vez, olhei em teus olhos e vi todo  teu rosto molhado
Não contive as lágrimas, não conseguia dizer nada, não consegui dar um único passo
Não compreendia suas lágrimas...
Vi sua imagem meio turva, com as lágrimas perdi o foco da visão
Percebi que você vinha em minha direção
Naquele instante, eu não via, nem compreendia muita coisa, apenas ouvia seu choro, apenas chorei com você o quanto doia em mim deixar você ir...



Abraçados em nosso quarto
Choramos nossa despedida
Você precisava seguir
Eu precisava deixar você ir

Naquele abraço apertado
A dor tornava-se maior
Parecia o nosso último abraço

Esquecemos dos vizinhos
Esquecemos do mundo
A nossa dor era mais forte

Nossos corpos
Nossas lágrimas
Nosso silêncio
Nossa despedida

Nos abraçamos e choramos no quarto, na sala, no terraço, no corredor, nas escadas e na calçada

Abraçados choramos pela despedida e sorrimos em gratidão a tudo que a gente construiu, compartilhou e superou durante nossa relação...

Eu e a saudade

Preciso confessar, algumas vezes enquanto caminhava, me perdi pelo caminho; 
Senti medo, frio e aquela angustia peculiar que nos aperta o estômago...
Você compreende quando falo daqueles momentos, onde a única certeza que temos é a de que nada sabemos?
Nessas horas precisei abraçar o silêncio e ouvir alguma melodia delicada que me acalmasse, ao menos por algum mísero instante;
Por muitas vezes respirei fundo, enquanto lágrimas molhavam meu rosto...
Sentir saudades de alguém, não é algo muito bom, menos ainda quando nos convencemos de que o não encontro é a melhor de todas as escolhas;
Hoje me perguntei se por acaso não estaria eu sendo o cara mais covarde, covarde comigo mesmo e com os meus sentimentos: "Por quais motivos você fica aí parado? Você ainda ama? E não vai contar do seu sentimento?!"
Desculpe, é que em tempos de saudades nos tornamos mais vulneráveis e costumamos recorrer ao "se eu tivesse feito assim";
Sei que o "respirar fundo" já apareceu neste texto, mas não vejo outro modo de expressar-me hoje... E por pretexto, respirei fundo;
Hoje acordei bem mais cedo que o de costume;
Procurei por alguém que "deveria" estar ao meu lado, na mesma cama... Apenas procurei e me lembrei;
Procurei por alguém que nos últimos cinco anos andou acordando comigo;
Hoje o tempo estava meio nublado e o silêncio do meu dia, abraçou a saudade que habitava em mim...
Não tive forças pra sair da cama, nem me esforcei pra isso;
Olhei para o telefone e esperei ouvir a voz que me dissesse: "Oi. Bom dia... Você está bem?! Ainda está deitado? Vamos sair pra almoçar fora hoje...?"
Eis que nesse diálogo, entre a saudade e eu, o passar das horas tornou-se imperceptível;
Pisquei os olhos e já passavam das 12 horas; nem o dia era mais inteiro, tudo era metade...
Sai da cama e preparei aquele café e o café me falou do quanto eu não era covarde;
Chorei diante da realidade, pensei na possibilidade de telefonar pra algum amigo e decidi me consolar sozinho... Voltei pra cama e escrevi algo parecido com o que você acabou de ler, um diálogo entre eu e a saudade...