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21 de outubro de 2017

Vinte e quatro horas por dia

Já respirei saudades
Vinte e quanto horas por dia

Já fui lembrança
A cada novo passo

Já fui ausência
No café, no almoço e no jantar

Já não sou mais o que fui um dia
Sou outro homem
Um novo homem
Ainda que parte do mesmo

Tenho outros sentimentos
Tão intensos quanto as saudades que um dia senti

Tenho outros sentimentos
Tão intensos quanto a ausência que me habitou

Sou liberdade
Vinte e quatro horas por dia

Também faço minhas escolhas

Respeito o que sinto
Respeito o que penso
Respeito e silêncio aquilo que não conheço

Observo mais
Ouço com mais delicadeza
Ouvir, apenas ouvir

Se sinto que é bom
Se sinto que é luz
Se sinto que é amor
Acolho e escolho

Torno ainda mais intenso o que sinto melhor
Ou me reservo o direito de recuar se não me fizer tão bem assim

Tem que me fazer bem
Tem que propagar o bem
Não só à mim
Não só aos meus

O bem deve ser possível à todas
Todas as pessoas

Tenho autonomia compartilhada
Trilhando novos caminhos
Descubro outros de mim

A cada nova situação
Me percebo outro, melhor

Mais leve
Menos tenso
Mais feliz

Quando não, é simples
Me reprogramo
Não eletronicamente
Mas sempre com música

Conectado comigo
E com o nosso universo
Me faço outro
Me refaço outra vez
E mesmo assim, continuo sendo eu a cada novo recomeço.